Sobre o peito o infinito vago
costurado em linhas finas de seda
tecelã aprendiz no ofício
com vagar minhas mãos tecem,
fio a fio,
cautelosas, mas precisas
Se o ponto erro
não desencanto
apenas o desfaço e
novamente busco o passo,
novamente busco o passo,
o compasso, o ritmo
Tecendo, tecendo, tecendo
ritmados movimentos
nos pentes do tear
para frente
para trás
para frente
para trás
A trama da vida
Tecendo, tecendo, tecendo
ritmados movimentos
nos pentes do tear
para frente
para trás
para frente
para trás
A trama da vida
nos fios
a teia de ilusões
nas mãos que se entrelaçam
a teia de ilusões
nas mãos que se entrelaçam
ponto a ponto
Com afinco, com dedicação
Com afinco, com dedicação
Construindo a trama como fiandeira,
delicadamente, como se fosse a última
como se fosse apenas a primeira.
Ianê Mello
(2010/2013)
*
(2010/2013)
*
Fotografia
do espetáculo “A Tecelã”.
