Não valho o prato que como
a cama em que me deito
a mulher que beijo
Não, não valho nem mesmo
essa furtiva lágrima
que de tua face escorre
Não mereço tampouco
o amor que se revela
em prantos de dor sentidos
nas noites escurecidas sem lua,
na bruma em que te
escondes,
tímida e tristonha a minha espera
Não valho a paixão que te consome
Não valho a paixão que te consome
ardendo em tuas entranhas a ferida
nos dias que se perdem solitários
Não, não mereço teu amor tão puro
tua doação sem medidas
tua doação sem medidas
o resguardo de teu corpo para meu deleite
Por isso te peço agora
Por isso te peço agora
tomado por remorso e
num rasgo de
consciência
deixa-me sozinho
em meu próprio enredo
na vida que escolhi e vivo só
Ianê Mello
(01.03.13)
*
Arte de Igor Morski.
*
Arte de Igor Morski.
