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domingo, 15 de junho de 2014

O TEMPO É HOJE



Acolhe em ti o amor que se avizinha
toma-o em teus braços de ternura
que o momento é o melhor presente
e a vida nesse breve instante
é beleza que se despe do tempo.


Ianê Mello
(15.06.14)


* Arte de BRUNO STEINBACH.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

DE BURCA OU MINI SAIA



Que argumentem os tolos                 
não há o que questionar
e minha voz não irá se calar

Seja de burca ou mini saia
não importa a indumentária
mulheres são estupradas
brutalmente  violadas

Desculpas não irão inventar
justificativa alguma irá abrandar
violência gratuitamente praticada
punição é a única saída esperada

Que argumentem os tolos                 
não há o que questionar
e minha voz não irá se calar

Nem com toda hipocrisia
apagarão essa sangria
essa dor no baixo ventre
contra esse ato indecente

Mulher  ferida em seus brios
entregue a cantos sombrios
perdida em seus tantos ais
nunca se esquece -  jamais

Que argumentem os tolos                 
não há o que questionar
e minha voz nunca irá se calar


Ianê Mello
(01.04.14)

* Arte do google de autoria desconhecida.

EXTREMOS INTANGÍVEIS


(para Land Nick in memoriam)


Nos olhos-meninos intenso brilho
O amor à vida estampado no rosto
Nos lábios um sorriso de quem ama
Nas mãos precisas uma câmera atenta
sensível a toda beleza do mundo...
animais, natureza, em todo seu esplendor

Em seu coração o pulsar do universo
num  sentir intenso e humano
Assim a vida lhe sorria serena
em todos os seus matizes e cores

A branca garça a voar contra o azul do céu
A abelha na flor a sugar seu néctar
Dois cisnes enamorados no lago cristalino
A pureza no sorriso de uma menina

...

Até que um dia, seus olhos se fecharam de repente
E a vida lhe escapou, de súbito, num único suspiro.



Ianê Mello
(30.03.14)

domingo, 30 de março de 2014

SÓ CORAÇÃO




Cabeça solta
sentimentos em desvario

nas notas do teclado
a bailarina dança
rodopia...

enquanto as mãos tocam
no branco dedilhar
suaves marfins

Ianê Mello
(29.03.14)


* Imagem: Noé Sendas

terça-feira, 18 de março de 2014

ODE AO AMOR




Escrevo para dizer que amo
Amo desavergonhadamente
Amo todos e tão somente
Amo aquele pelo qual reclamo

Amo como amiga e como amante
Amo tão pura e simplesmente
Amo com fervor e sutilmente
Amo de um jeito delirante

E por amar assim tão loucamente
O amor de mim já se avizinha
Em uma ternura toda minha
E a mim se entrega mansamente

Amo o amor que me preenche
O amor que me penetra nas entranhas
Amo assim com tantas artimanhas
um amor travestido e delinquente


Ianê Mello
(17.03.14)

*Pintura de  Christian Schloe


sábado, 15 de março de 2014

A ARANHA EM SEU TEAR




tarda
a aranha
em sua teia

a tecer
memórias
desencantos

tanto
tempo
tantas

tarda
a tecer
a aranha

memórias
desencantos
em sua teia

tanto
tempo
tantas

a aranha
em sua teia
a tecer

em sua teia
a tecer
memórias

tarda
tanto
tempo


Ianê Mello

(16.02.14)




*Pintura de Susan Seddon Boulet "Shaman Spider Woman"

sexta-feira, 14 de março de 2014

COMPOSIÇÃO




Palavras tateiam
no escuro

mãos
em desalinho

o verbo
rasga

o tecido
formas inexatas

textura imprecisa
alinha-se

pulsa a verve
nasce o poema


Ianê Mello

(16.01.13)

*

Pintura de Francine Van Hove

segunda-feira, 10 de março de 2014

VÔO DAS BORBOLETAS


assim me encontro
em novas paragens
sem bagagem
sem roupas
sem utensílios

cabeça a voar
miragens
coração a saltar
do peito

gosto de viajar
assim
sem rumo
nem paradeiro

partir sem saber
para onde
nem tampouco
quando voltar

apenas sair
por aí
sem bússola
nem direção

sem caminho traçado
sem rota premeditada

seguindo apenas
o vôo das borboletas

Ianê Mello
(10.03.14)

*Pintura de Duy Huynh 


domingo, 9 de março de 2014

AINDA EXISTE VIDA


onde se esconde o humano
nesse protótipo forjado
em metais aprisionado
em mecânicas alienado?

em automatizados sentires
em sentimentos enlatados
em medos encarcerados
em rancores cibernéticos?

e coração dentro do peito
assim meio que sem jeito
sentindo-se excluído
bate mais forte ressentido

ainda pulsa vivo e aflito
diz que sangra e que sente
e dentro do peito acusa:

- Ei, aqui ainda tem gente!

Ianê Mello
(9.03.14)






sexta-feira, 7 de março de 2014

DIAS SEMPRE IGUAIS


Saber-me assim é o que resta
sem novos planos, sem anseios
extraindo da vida o que presta
sem perder-me em vagos devaneios

Um dia após o outro sem sobressaltos
natureza acomodada no momento
já cansada de se expor a grandes saltos
poupada de viver nesse tormento

Imaginar-me assim acomodada
há tempos atrás jamais ousaria
supunha estar para sempre fadada
a viver sem sentir tal calmaria

Por vezes ainda me pergunto
se a escolha que fiz foi adequada
mas não me demoro no assunto
fecho os olhos - não penso em mais nada.


Ianê Mello
(08.01.14)

* Pintura de Jane Ansell






CAMINHO SEM VOLTA




Eu tentei
juro que tentei

percorri espaços
amparei abraços
calei sons

transpus limites
venci caprichos
acatei palavras

sussurrei amores
espantei temores
...
em vão

eu tentei
eu juro  que tentei

mas a carne é fraca
o limite é tênue
a paixão vadia

o sentir tão vão
a cama tão fria
a língua tão áspera

mas eu tentei
eu juro

abri mão da solidão
enterrei meus pés no chão
cavei um poço sem fim

mergulhei pra dentro
bem fundo  tão fundo
me perdi em mim

não fuji
não menti
não trai

e agora
o que faço
com esse imenso cansaço?

não sei como voltar
não posso mais ficar

meus passos 
se perderam
no caminho


Ianê Mello
(07.03.14)

* Fotografia de Anka  Zhuravleva






sábado, 1 de março de 2014

CARNAVAL, ÓPIO DO POVO




Fartei-me das palavras
que ninguém quer ouvir
os batuques soam mais alto
que minha fraca voz

Retumbam em minha mente
ecoando insistentemente
ensurdecendo meus sentidos 

calando minha agonia e meus gemidos

Minha voz ficou rouca de tanto gritar
e serpenteando se perdeu no ar 
nada se ouviu do que tentei falar
e o que calei, guardei em meu olhar

Todos os ouvidos estão surdos
ensurdecidos pelos ruídos
das ruas, dos carros, dos cantos
do rufar dos tambores

Para que tanta alegria? 
Para que a festa?
Por que toda essa folia
se essa babel enlouquecida é tudo que resta?

Confete, serpentina, lantejoulas
brilhos ofuscantes, falsos diamantes
mulheres deslumbrantes 
altivas em seus palanques

Sobre(s)saltos sempre muito altos
no corpo o nu que predomina
no rosto  a dor que se disfarça
na máscara que a face oculta

Falsa alegria que contagia
mas não a mim, que agonia!
Não fui sequer convidada
imagina que pesar!

Carnaval ... falsa alegoria... 
alegria em fantasia  disfarçada
Fogo fátuo que queima 
pra tudo se acabar em cinzas


Ianê Mello

*
Pintura de Joan Miró

sábado, 15 de fevereiro de 2014

NO OLHAR



Distâncias...
Quantas abrigam
Um simples olhar?

Ausências...
Quantas se escondem
Na clara retina?

Distâncias...
Ausências...

De mim
De ti
De nós

Do mundo
Tão vasto
Tão inalcançável

Qual bicho
Acuado
Ensimesmado

Qual ostra
Na concha
Escondida

Por detrás do olhar
Uma mulher
Trancada em si

O quanto abriga
Um simples olhar?


Ianê Mello
(15.02.14)

*
Pintura de Klint


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

VISLUMBRES DO AMANHECER


Era um céu rasteiro, sem fôlego. Mas era o início de um infinito.
Jerusalém, Mia Couto


  
Era um céu azul
um azul tão intenso
que na vastidão
o olhar se perdia

Era um céu azul
horizonte a descoberto
vôos de pássaros
a descortinar lonjuras

Era um céu azul
de um azul infinito
reflexos de luz 
na placidez da manhã


Ianê Mello
(11.02.14)


*
Pintura de Magritte

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

SENTIMENTOS EM CONFLITO





Sei que não é por querer que você me diz
palavras duras que ferem como lâmina de aço
sei até que sua raiva esconde na verdade
um profundo amor que não cabe em si
mas dói, dói demais ouvir tais palavras
dói demais sentir a raiva em seu olhar

Sei que preciso compreender a sua dor
ser paciente e tolerante, que tudo isso vai passar
mas em meu peito este sentimento ruim
teima e insiste em não me abandonar
por mais que não seja a primeira vez
por mais que eu devesse me acostumar

Sei  que a vida com você será  sempre assim
instável, frágil e sujeita a altos e baixos
sei também que você não tem culpa
por estas oscilações de humor constantes
por estes sentimentos que oscilam
do amor ao ódio, por vezes num breve instante

Sei que sou a pessoa que te ama incondicionalmente
que você conta sempre comigo em sua vida
que se você fere é por sentir-se ferida
mas por ser humana não posso me impedir
de sofrer a cada vez que você me ferir
e sentir  o meu amor  cansado assim

Mas sei que amanhã tudo pode mudar
resta então esperar que amanheça
e a doçura em seu sorriso de menina
traga de volta a esperança em meu olhar
e a mãe que em mim adormecia
acorde a mulher que sabe amar

Ianê Mello
(09.02.14)


*
Pintura de Ans Markus


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O TUDO E O NADA



O tempo que escoa
como areia na ampulheta
e nele a nossa vida
desfeita em sonhos,
em nossa liberdade despedaçada
na prisão do tempo encarcerada.

E os sonhos tão sonhados
pintamos em aquarelas
em nossa mente que divaga
e em palavras nos perdemos
porque queremos ser Tudo
e naufragamos no Nada.

No vazio da ilusão
buscamos algum alento
e o que nos resta senão
mais um desapontamento.

No Tudo que nós buscamos
não vemos o essencial.
A resposta está tão perto
e nós percorremos mundos
só encontrando desertos.
Enquanto procuramos fora
esquecemos de olhar para dentro.


Ianê Mello

*
Revirando o baú em busca de poemas antigos...
Esse é de agosto de 2011.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

CORPO QUE JAZ




pela madrugada afora
nas horas de insônia
corpo cansado
ao descanso não se rende
olhos embassados
pela leitura
mente inquieta

...

há dias me sinto assim
angústias dentro de mim
indagações sem respostas
perguntas vãs e suspensas
e eu, equilíbrio frágil
acrobata delirante
na corda bamba

...

o circo já montado
a platéia a espera
o show acontece
como tem de ser
o dia amanhece
no rosto pintado
um largo sorriso

...

em cordas suspensa
piruetas improviso
ensaio perigos
quedas imaginárias
a lona esticada
amortece o tombo
prolonga a queda

...

nem osssos quebrados
nem fraturas expostas
nem sangue
nem nada
mas algo se quebra
inútil disfarce
a morte é súbita

...

não há mais circo
não há mais platéia
show já não há
apenas um corpo
que jaz ainda em vida
sequelas da dor
que não ousa cessar


Ianê Mello

(05.02.14)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

DESPERTAR



(..)

Um intervalo no tempo
a paz por um momento
no desabrochar do sorriso
no amanhecer do olhar

Viver é para quem sabe amar!

(...)

Ianê Mello.



sábado, 1 de fevereiro de 2014

OCULTA EM MIM MESMA



Estar ...
ser ...
analogicamente
me persigo

em ruas
em frestas
em muros
em nesgas
em rasgos

num buscar
incessante
inoperante
dilacerante
deliro

em dias
em noites
em madrugadas
insones

me caço
me vejo
me sinto
me ajo

onde estou?
o que sou?

me preciso
me limito
me recuo
me possuo

em partes
em fragmentos
em subterfúgios

ao amanhecer
me encontro
em mim
perdida
exposta


Ianê Mello


(31.01.14)


*

Imagem de Tomas Rücker