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domingo, 2 de novembro de 2014

ONDE A FELICIDADE SE ENCONTRA






nas cerejeiras em flor
beleza que se revela
aos olhos que a contemplam

na gratidão que transborda
a face umedecida
em lágrimas de contentamento

natureza viva e pulsante
desperta um coração
a - dor - mecido

palavras não cabem
nesta simples paisagem
onde a contemplação se deita

deter-se em momentos assim
é cultivar em si
a verdadeira felicidade. 


Ianê Mello

(02.11.14)

segunda-feira, 23 de junho de 2014

SIMETRIA AMOROSA




Onde eu começo e você termina?
você e eu
que somos um

corpos mesclados, fundidos
num só corpo que se alimenta
da suave delicadeza do amor

meu rosto, seu rosto
geminados num único olhar
perdidos em nossos olhos

seus braços, meus braços
extensão dos seus
na grandeza de nossos gestos

sua boca, minha boca
no prolongamento de um beijo
desdobrado em paixão

suas pernas, minhas pernas
entrelaçadas no deleite
de se dar sem limites

suas mãos, minhas mãos
no toque de nossos corpos
perdidas em nós

Onde eu começo e você termina?


Ianê Mello

*
Pintura de Yarek GODFREY

(Publicação original de agosto de 2012)

terça-feira, 28 de maio de 2013

APANHADOR DE SONHOS




A utopia está lá no horizonte.
Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos.
Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.
Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.
Para que serve a utopia?
Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.


Eduardo Galeano




Tudo passa
A tristeza contida
A vida oprimida
Comprimida 
em desenganos
em desafetos

Mas tudo passa
O s amores perdidos
Os carinhos sentidos
As lágrimas derramadas

Continue o caminho
Pés cansados
Corpo suado
Alma inquieta
Mas prossiga...
Não pare!

Caminhar é preciso
às pessoas de bom senso
Viver não é preciso
É impreciso
É tortuoso
É inconstante
É um sobe e desce sem fim

Mas o que vale, meu amigo
É a esperança que brilha
É a beleza do encontro
E a persistência de ser
Hoje e sempre
O apanhador de sonhos.


Ianê Mello



(28.05.13)

*

Pintura  de Ferando Centeno.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

AMOR QUE SE REVELA



De amargo fel  tornou-se doce
O amor transmutado em puro mel
E amantes ungidos como se fosse
A magia do encanto em carrossel

Lampejos de criança enaltecidos
Em brincadeiras de terno amor
Corpos em descanso adormecidos
Em regadas noites de frêmito e torpor

Poderiam imaginar-se assim vencidos
Entregues ao abandono do prazer
Na alma de afeto enaltecidos
No corpo a delícia do viver

Em promessas sem receios sussurradas
Elegias ao afeto desbravado
De distâncias e temores apartadas
Vislumbres de um horizonte tão sonhado



Ianê Mello

(22.05.13)


*
Arte: Alex Almany

domingo, 5 de maio de 2013

APENAS OUÇA





Não, não tires de mim
palavras não ditas
Queres adivinhar o que penso?
Deixes que eu te diga
as palavras certas
e apures teus ouvidos para ouvi-las
Não tires conclusões apressadas
não deturpes em tua mente
minhas palavras
Elas são minhas pois que delas
Apoderei-me ao pronunciá-las
Se não queres me ouvir,
se não te calas por dentro,
como podes compreender
meus sentimentos?
Como podes julgar
minhas intenções?
Teu coração de pedra embrutecido
é meu desalento
fazes-me chorar por dentro
lágrimas em sangue vertidas
pois apunhala-me com tua ira
com tuas palavras nefastas
com o falso orgulho com que
te defendes
Tires tua armadura fora
e sejas gente
Me encares de frente
e enfrentes o medo
Enquanto ainda é tempo
Enquanto ainda há tempo
De tentarmos ser felizes.


Ianê Mello
(23.04.13)

*

Pintura de Klint.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

TEMPO DE INOCÊNCIA



Como brincadeira de criança
menino, menina, 
no doce encontro
movido pela inocência

olhos de sonhar mundos
mãos de descobrir formas
sorrisos de clarear o dia

correm campos
cheiram flores
colhem frutos

e na relva fresca se deitam
enquanto o sol 
no alto brilha
e a natureza é pura festa



Ianê Mello
(16.04.13)



quarta-feira, 24 de abril de 2013

NO COMPASSO DA ESPERA





Que seja lento
Tanto quanto breve
Que seja riso
Tanto quanto pranto
Que seja luminoso
Tanto quanto noite

Que seja raro
Tanto quanto comum
Que seja verdadeiro
Tanto quanto ilusão
 Que seja por inteiro
Tanto quanto metade

Mas que seja vida
Que espanta a morte
Nesse desassossego
Preenchido encanto
Transbordando em gostos
Tão demorada espera.



Ianê Mello



(22.04.13)



*

Pintura de Jane Ansell.





terça-feira, 23 de abril de 2013

ALMA LIBERTA




Ler descortina universos
seja em prosa, seja em versos
é magia e encantamentos
o mundo em letras revelado
para olhos que atentos
sorvem cada palavra
e em sonhos emprestados
a imaginação cria asa
voando ao sabor dos ventos
enquanto o corpo em casa
preso a realidade permanece
a alma aturdida desvanece
em momentos de pura alforria
e do mundo lá fora se esquece
em vidas de plena fantasia


Ianê Mello

(23.04.13)


*
Pintura de Charles Edward Perugini





domingo, 21 de abril de 2013

O PULSAR DA VIDA




Sempre é tempo de renascer
acreditar que é possível
uma nova manhã
um novo recomeço

A cada dia o sol brilha
mesmo que por detrás das nuvens
ele lá está...

Sempre é tempo
quando a vontade não é arrefecida
quando o medo é enfrentado
quando os sonhos retomam seu lugar
quando se vê com um novo olhar

Assim, a alma se regozija
e o encanto de viver recupera seu espaço
e do tempo que ficou prá tras perdido
resta apenas a lembrança do aprendizado

Viver pode ser bom
e não apenas um vício.


Ianê Mello.

(21.04.13)

*
Crédito: Imagem do google 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

FEMININAS SUTILEZAS





Escorre mansa
Lânguida serpenteia
Fértil em sua origem
Desabrocha encantos
Tantos a cobiçam
Poucos a possuem
Mulher de poucas intimidades
Recatada em meandros
Enredada em teias sutis
Beleza que se distingue
Em olhares esquivos
Gestos comedidos
Numa altivez de quem teme
Ao amor render seus desejos
No véu que a encobre
Aguarda pacientemente
O homem que virá
E com a delicadeza de um cavalheiro
Pousará nela seus olhos
E através do véu verá
A fêmea que nela se esconde
E com dedos de veludo
Revelará o amor até então resguardado.


Ianê Mello

(18.04.13)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

APENAS MAIS UM




A cada dia ao despertar
a vida me sorri
pena que nem sempre
meus olhos estão atentos
meu corpo disposto
minha alma descoberta
e tudo que vislumbro
é apenas mais um dia
que nasce 
e deixo morrer
sem viver

Ianê Mello

*

Fotografia deAnka Zhuravleva

terça-feira, 9 de abril de 2013

EM NÓS




A chuva cai mansa
minha inquietude amansa
deixo tudo pra depois
ao recolhimento me entrego
momentos só de nós dois

Em dias de chuva assim
chove dentro de mim
vontades de aconchego
eu e você num chamego
na cama entrelaçados

Nossos corpos imantados
pelo amor já saciados
descansam num doce abraço
e assim eu me refaço
na completude do amor


Ianê Mello
(03.04.13)


*
Pintura de Toulouse Lautrec

domingo, 7 de abril de 2013

POESIA QUE EMBRIAGA




A noite cai mansa
o sono se avizinha
cálido convite ao descanso
no coração lembranças
vívidas na memória
de momentos embebidos
na mais pura poesia
cálice de vinho tinto
em letras escarlate
colorindo versos
a embriagar doces sentidos
tornando a vida mais leve
descortinando emoções
que povoarão os sonhos
desta simples poeta

Ianê Mello
(07.04.13)

Pintura de Duart's

sábado, 2 de março de 2013

MARIONETES




O amor
essa estranho sentimento
chega e preenche
todos os espaços
todas as brechas
todos os vãos
com sua grandeza
sem limites
toma conta de tudo
se alastra como erva daninha
penetra em nossos poros
desvenda nossa alma
de nosso corpo se apodera
e nós, fantoches de um teatro
ilusório e mágico
por ele somos manobrados
sem forças
sem defesas
totalmente entregues
em suas mãos
objetos de seu desejo
por ele somos usados
para seu próprio deleite
até que saciado
ele de nós se cansa
e assim como chegou
simplesmente vai embora


Ianê  Mello

(02.03.013)

*

Fotografia de autoria desconhecida

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

SEM MEDO



Longe bem distante
além da neblina
além da turva visão
embaçada por velhos costumes
pela estreiteza da mente
novos caminhos possíveis
esperam  ser trilhados
portas que se abrem
janelas  que descortinam
horizontes impensáveis
novas cores e matizes
aguardam um novo olhar

...

viver é saber ousar


Ianê Mello



(29.01.13)

* Pintura de Rene Magritte

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O OUTRO EM MIM



É... a vida que escapa da memória e se perde em devaneios . Quando é melhor esquecer para que a fantasia tome o lugar da realidade... sabe-se lá... E a fantasia ganha asas e voa cada vez mais longe e cria raízes e cada vez mais real ela se torna. Traveste-se de encantos e assume o lugar que não lhe pertencia. Faz-se tentadora com seus ardis e artimanhas com a expressão do desejo de uma vida não vivida. E quem não quer uma vida que não é a sua? A grama do vizinho é sempre mais verde e os frutos mais saborosos. O doce mistério de ser o outro! Apoderar-se de outra vida, de outro corpo, incorporar o outro em si e perder-se. Loucura insana ? Pode ser... mas o que importa? Quando se está perdido busca-se uma saída e há tantas portas!  E atrás de cada porta o desconhecido habita, sempre a espera para ser desvendado.


Ianê Mello

(04.02.13)

*
Arte: Gravura de Escher.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

SÃO TANTOS OS CAMINHOS






O caminho das pedras
Quem conhecerá?
O caminho preciso
O caminho perfeito
O melhor caminho
Existirá?

Ah, o melhor caminho
É o que se faz ao andar
Passo a passo
Devagar...

Pé ante pé
Sem pressa
A paisagem apreciar
Colhendo flores
Sentindo espinhos
Plantando sementes
Para frutos semear

Passos leves
Passos firmes
Parar para descansar
No sombreado de uma árvore
O cansaço repousar

Retas, curvas, atalhos
Tantos para trilhar
Pés por vezes cansados
Doridos de tanto andar
Uma bacia de água quente
Um pouco de sal grosso
Poderá aliviar

Poderíamos ter asas
Para às vezes poder voar
Mas asas não temos
Fomos criados assim
Seres bípedes e terrenos

O que nos cabe fazer então?
Acertar o passo
E seguir adiante...
Para onde seguir?
Nunca se sabe


Ianê Mello

(01.02.13)

*

Pintura de autoria desconhecida.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

ONDE CABE MINHA TRISTEZA





A minha tristeza cabe
em sonhos desfeitos
em intensos tremores
em profundos dissabores
na solidão compartilhada

A minha tristeza cabe
em procuras infindas
em tardes insalubres
em dislumbres febris
nos perdidos ardis

A minha tristeza cabe
em pontes para o nada
em estradas infindáveis
em caminhos tortuosos
no labiríntico viver

A minha tristeza cabe
em palavras suspensas
em perdidos amores
em insolúveis temores
no vazio derradeiro

A minha tristeza
Só não cabe mais
Em mim



Ianê Mello

(29.01.13)


*
Fotografia de Anka Zhuravleva

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

É...




É prego sem estopa
É pedra no caminho
É mosca na sopa
É pássaro no ninho

É o fim da estrada
É mulher parideira
É caminho para o nada
É a última e a primeira

É vida sem sorte
É caminho sem trégua
É a busca da morte
É escrita sem régua

É o tudo no nada
É o nada que resta
É a boca fechada
É o final da festa

É o sim e o não
É a língua afiada
É o sonho na mão
É a vida e mais nada


Ianê Mello

(29.01.13)


*
Pintura de Paul Klee

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

DISFARCES





Se com um movimento brusco
eu te afastar prá longe
insista...
nem sempre os movimentos expressam minha vontade

Se com palavras duras
eu te disser que saia
persista...
nem sempre as palavras expressam meu desejo

Mas se com os olhos úmidos
eu te pedir que fique
escute...
ainda não consegui ensiná-los a mentir



Ianê Mello


(16.01.13)

*

Pintura de David Agenjo