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sábado, 4 de junho de 2011

A dor da saudade











Pai, ainda me lembro daquele dia
em que criança deitei em seu colo
e você me contou estórias de ninar,
acalentado meu sono, me fazendo adormecer.

Pai, ainda me lembro do seu rosto
suado e cansado da luta diária,
de seu terno amassado,
de seu olhar terno e amado
quando junto a mim ficava
e brincávamos de escolinha...

Eu,  a professora
você, o aluno

...nossa brincadeira favorita!

Seguindo seus passos
professora me tornei
e ao ofício dediquei meu apreço. 

Pai, como esquecer seu sorriso,
seu rosto marcado pelo tempo,
seus cabelos embranquecidos?
Como esquecer suas palavras 
que em  momentos de incerteza
anunciavam conforto e determinação?
  
Ainda posso ouvir você a  me dizer:
- Vai minha filha, você é capaz!

Como esquecer seu companheirismo,
sua mão amiga a guiar meus passos?

O tempo passou e com ele seu vigor.
Seu corpo vencido pelo cansaço,
seus verdes olhos embaçados,
sua memória desvanecida,
sua saúde, dia a dia, mais debilitada.

Sim pai, à mim antes parecia
que você não envelhecia,
que o tempo  não lhe pesava.
Sua intensa sede de viver
cada momento como único.
Sua vontade de ajudar
escondendo a própria dor 
num breve suspirar.


Quando dei por mim
enxerguei a dolorosa realidade.
Percebi que o seu tempo,
que a  sua vida começava a decair.
Percebi que você não era para sempre
e que um dia não  teria mais
a sua presença tão querida.

Pai, ainda me pego chamando seu nome
mas hoje não escuto mais a sua voz.
Não posso mais olhar seu rosto,
sentir suas mãos em meus cabelos,
sorrir com seu sorriso franco.
Me sentir amada, acalentada...


Ah, pai... como você me faz falta!




Ianê Mello



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Reminiscências ...



Linhas finas e tênues
marcam seus olhos já cansados
Da vida perderam o brilho
Dos sonhos já se afastaram
Um olhar que ultrapassa
as barreiras do conhecimento,
de quem viveu seus momentos
com intensidade apaixonada
Surpresas já não existem
nesse maduro coração
Meras repetições se sucedem
como num filme já visto
em sua vida sem sobressaltos

Suas mãos nuas
já não buscam tocar o inatingível
pois seu velho coração
encontra apenas na razão
sua real força de vida
Maturidade é seu nome
e com ela os dissabores
dos incontáveis amores
que por sua vida passaram
Páginas viradas de um passado
de lembranças guardadas
num antigo baú
no empoeirado sotão escuro

Seus olhos...
Ah, seus belos e profundos olhos
já não brilham como estrelas,
sonhadores e febris,
donos de tantos ardis
que, apaixonadamente encantaram
todos aqueles que a amaram.


Ianê Mello



 Reciclado para "Fábrica de Letras" em 01.02.2010.