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segunda-feira, 10 de março de 2014

VÔO DAS BORBOLETAS


assim me encontro
em novas paragens
sem bagagem
sem roupas
sem utensílios

cabeça a voar
miragens
coração a saltar
do peito

gosto de viajar
assim
sem rumo
nem paradeiro

partir sem saber
para onde
nem tampouco
quando voltar

apenas sair
por aí
sem bússola
nem direção

sem caminho traçado
sem rota premeditada

seguindo apenas
o vôo das borboletas

Ianê Mello
(10.03.14)

*Pintura de Duy Huynh 


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

BOM DIA




O dia levantou mais cedo
o corpo expulso da cama
preguiçoso e renitente
vagarosamente se levanta

A cara ainda amassada
olhos semicerrados
deixam entrar as primeiras
nesgas de luz

No céu, desavisadas estrelas
ainda brilham,
num último suspiro
antes de clarear o dia

Fugazes instantes
pelo olhar fotografados,
até se extinguirem
por completo

Capturadas pelo dia
se despedem dos sonhos
e o sol, em seus primeiros raios,
num sorriso diz:

-“Bom dia!”-

Ianê Mello
(15.02.13)


*



Pintura de Duy Huynh

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

DE IMPROVISO




E como preciso
de um improviso preciso
que me tome de assalto
assim sem quê nem porquê
sem espera
de repente
como ventania
espalhando nuvens
voejando folhas secas
despertando sentires

Um improviso preciso
no exato momento
em que nada se espera
e o tudo ganha forma
tingindo a tela nua
de matizes inesperados
de sonhos não moldados
emoldurando desejos

E como preciso
de um improviso preciso
sem eira nem beira
sem aviso prévio
sem anunciação
que me rasgue as vestes
que me turve a visão
que desvende verdades
que derrube as grades
desse tempo-prisão.

Ianê Mello 

* Pintura de Duy Huynh