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quinta-feira, 21 de julho de 2011

A DIFÍCIL HORA DO ADEUS



- Oi, você já vai?
- Acho melhor, agora que tudo está resolvido.
- Pode levar os livros de Fernando Pessoa, se quiser.
- Sei que você também gosta deles. Pode ficar.
- Você vai ficar bem?
- Sim, claro, dá-se um jeito...
- Será que poderia ser diferente?
- Não sei. Só sabemos que não foi e agora...
- Para onde você vai?
- Eu me viro. Não se preocupe.
- Está levando tudo que precisa?
- "O que mais preciso tenho que deixar", ele pensou.
- "Gostaria que você não fosse embora. Por quê tem que doer tanto?", pensa ela, por sua vez.


    E o silêncio se fez entre ambos. Por não quererem revelar os verdadeiros sentimentos que ainda pulsam e teimam em machucar.  Mas nenhum dos  dois tem coragem de falar o que realmente sentem. Decidiram pela separação e sentem que tem que levá-la adiante a qualquer custo. Racionalizam que será melhor para os dois porque não estava dando certo. Ah, mas tiveram momentos tão lindos! Estes ficarão na lembrança. Atormentando a dor da saudade, o frio da ausência.  O que fazer quando o amor ainda existe, mas não há mais entendimento, não há  mais possibilidade de convivência?

- Bem, você quer ficar coma cópia da chave, caso tenha esquecido algo?
- Acho melhor não. Se der por falta, lhe aviso e venho pegar.
- Desejo que você seja feliz.
- É o que estamos tentando, não? Sermos felizes.
- Sim, claro...
- Então, já vou.
- Abro a porta pra você.


Na porta, se entreolham mais uma vez. Ele olha a sala a sua volta. O lar que viveram todos esses anos e sente a alma apertada. Precisa ir, senão não conterá a lágrima que teima em se formar no cantinho de seus olhos.
( Quem disse que homem não chora?) Ela pensa se há como contê-lo. Como voltarem atrás, mas decide deixá-lo partir. A dor é tão grande que não permite ser expressa.

- Vá com Deus!
- Fique em paz...

E ela fecha rapidamente a porta com as lágrimas rolando sobre sua face, enquanto ele entra no elevador e sente uma faca cravada em seu peito. Uma dor tão lancinante que jamais poderia imaginar e, indo  contra todos os preconceitos, finalmente chora...




Ianê Mello



Crédito de imagem: Pintura de Edward Munch

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O GRITO






O grito preso na garganta
aprisionado na dor
No rosto, o pavor
estampado no espanto
Que visão tão terrível
ameaçaria o encanto
de percorrer novas trilhas
nessa estrada de pedra e sol
No humano que habita
a curiosidade desperta
A vontade de desvendar
mistérios ocultos
Da visão desconhecida
daquilo que se chama vida
resta sorver até o fim
Possibilidades infindas
não dominadas pelo medo
Lançar-se no escuro, no breu
não é sinônimo de loucura
Para viver a vida
é necessária a procura,
a ousadia de ser sem limites
Reagir ao medo que trava
Libertar-se das amarras que prendem
Usar a chave de sua própria prisão
contruída pelo pavor do desconhecido
Liberte-se de si mesmo,
de seu ego, de seu egoísmo
Lembre-se que só você tem a chave
A chave que te prende
é a mesma que te liberta

Ianê Mello


Crédito de imagem: Pintura de Edward Munch