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sexta-feira, 14 de março de 2014

COMPOSIÇÃO




Palavras tateiam
no escuro

mãos
em desalinho

o verbo
rasga

o tecido
formas inexatas

textura imprecisa
alinha-se

pulsa a verve
nasce o poema


Ianê Mello

(16.01.13)

*

Pintura de Francine Van Hove

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

NA SOLIDÃO DA NOITE



Há que endurecer o coração para suportar a dor
Difícil tarefa para uma sensibilidade apurada
A duras penas assisto o rolar das lágrimas
Onde dentro em mim há um grito mudo
Uma criança assustada pede socorro
Mas tapo meus ouvidos as súplicas inúteis
O adulto que me habita não permite trégua
Não há remédio que aplaque a solidão da noite
Quando o dia cai e o sol se esconde
Sentimentos de vazio se apoderam da mente
Inquietudes da alma desabrocham em flor
Mas não há perfume que dela exale
Nem beleza em sua forma e cor
Tudo o que era vivo adormece
O silêncio pesa tornando o ar rarefeito
Só meu corpo permanece acordado
Nas lembranças e desejos tardios
A espera que o dia novamente amanheça



Ianê Mello
(30.01.14)

*

Pintura de Francine Van Hove.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

MULHERES QUE ME HABITAM







Dentro de mim
tantas mulheres
se abrigam
se escondem
se agitam

pintam a boca
se enfeitam
se vestem
e se despem

Dentro de mim
tantas mulheres
se buscam
se calam
se ferem


pintam o cabelo
dobram os joelhos
se acomodam
e se divertem

Dentro de mim
tantas mulheres
mas meus olhos no espelho
só uma conseguem vislumbrar


Ianê Mello



*

Pintura de Francine Van Hove


sábado, 8 de dezembro de 2012

NA COMPANHIA DOS VERSOS




Sabe-se da solidão
o quanto dói
espaço sem medidas
de ausências
noites de insônia
dias cinzas
no peito vazio

Sabe-se da solidão
o quanto oprime
lembranças esquecidas
em sótãos escuros
pequenos tesouros
a sete chaves
num velho baú guardados

Sabe-se da solidão
o quanto entristece
nos versos do poeta
acalentados pela saudade
no conforto das palavras
um breve encontro
ilusória companhia


Ianê Mello

(29.11.12)

*

Pintura de Francine Van Hove

segunda-feira, 9 de julho de 2012

MINHA IMAGEM REFLETIDA





Essas coisas loucas
invadem meus ouvidos
adoçam minha boca
provocam arrepios

em minha pele
meus pelos
meus poros

Ah... essas coisas loucas
que sinto quando te imagino
inebriam meus sentidos
provocam gemidos
enlouquecem minha libido

em mãos me perco
em toques sutis
intensos e provocantes

mãos que são tuas
que me invadem
através das minhas
na tua ausência

perdendo-se em carícias
adentram penetrantes
insistentes...

mas...
num átimo de segundo
um erro fatal cometo...
abro os olhos...

procuro pelo homem que anseio
pelo fruto do meu ardente desejo
e tudo que vejo refletido no espelho
é a minha própria imagem


Ianê Mello

*
Pintura de Francine Van Hove.

*

Inspirado na música de Lester Young 

sexta-feira, 9 de março de 2012

BRILHO DE SER



  
Mulher

...

o som do silêncio
em murmúrios


o compasso da espera
acalentada
em suaves mão de afeto


frescor de rosas silvestres
em manhãs primaveris


renascida em estrelas


iluminada em sóis
em brancas luas


Mulher

...

ser que rebrilha em luz
renasce em cores

...

transcende amores



Ianê Mello

*

Crédito de Imagem: Pintura de Francine Van Hove


quarta-feira, 6 de julho de 2011

AO MEIO

Pintura de Francine Van Hove






meio santa
meio demônio
meio virgem
meio devassa
meio inteira
meio pela metade
meio simples
meio complicada
meio certa
meio errada
meio sim
meio não

meio maldosa
meio ingênua
meio louca
meio sã
meio religiosa
meio pagã
meio doce
meio amarga
meio alegre
meio triste
meio menina
meio mulher
meio humana
meio bicho
meio Yin
meio Yang




metades de mim
tão opostas
formam esse ser
essa qualquer coisa
que existe
e busca ser inteira






Ianê Mello

sexta-feira, 1 de julho de 2011

REVELAÇÃO


Pintura de Francine Van Hove


Ao contemplar-me
em traçados diversos
sinto meu corpo
......a desnudar-se
na pureza dessa tela
e bela me imagino
no tempo que perpassa
e cada momento
único e sólido
em meus traços se revela
Em mim mesma
me refaço.






Ianê Mello




domingo, 26 de junho de 2011

O Recomeço

Pintura de Francine Van Hove

Há manhãs que são assim
onde o sol se esconde
por detrás de nuvens escuras
E o que se pode fazer
nessas longas manhãs
de saudade e espera?

Lentas, tristes, repletas de recordações
de manhãs outrora belas,
inesquecíveis à lembrança
doloridas para quem espera

Até quando esperar
por essse amor que não vem
Quase sem respirar...
que poder esse que ele tem?

As manhãs serão assim
sempre na eterna espera
Até quando decidir
que chegou a primavera

Veja a nova estação
Bela em suas cores
Perfumes novos trarão
e no peito novos amores!






Ianê Mello

sexta-feira, 24 de junho de 2011

FELICIDADE PLENA






brisa suave
paisagem bucólica
as copas das árvores
em sincrônico balançar
entoar de cantos
de coloridos pássaros
em bela sinfonia
grama fresca e úmida
onde o corpo descansa
o sol do céu a nutrir a terra
com sua raios de fulgor
vida simples, natural
sem tempo, nem hora
sem tique-tique do relógio
o singelo prazer de ser
a alegria de estar no mundo
onde somos todos iguais
feitos da mesma matéria
nós e a natureza que nos acolhe 
em seus braços maternais
pois que dela somos filhos
filhos criados no amor






Ianê Mello






Crédito da iamgem: Pintura de Francine Van Hove



sexta-feira, 27 de maio de 2011

Vazio em Mim


Pintura de Francine Van Hove

noite
pirilampos
lua
estrelas
dentro
vazio
solidão
cansaço

pirilampos brincam na lua

dentro, o vazio da solidão e o cansaço

vida escondida nos desvãos
partida nos desencontros
afogada nas desilusões
fragmentada pelas dores

alma que grita
sangra e atormenta
veneno destilado
corre nas veias
na boca absinto

estrada tortuosa
espinhos nos pés
descalços
olhos na terra
em que piso
desejos recalcados 
no tempo perdidos

afetos
desamores
silêncios sem palavras
nem gestos
...

permaneço
...

.

Ianê Mello 

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A MATURIDADE

Pintura de Francine Van Hove



Essa imagem que meus olhos fitam refletida no espelho,serei eu?
Pareço diferente aos meus próprios olhos. Algo mudou mas não identifico exatamente o que.
É certo que o tempo passou. Lá se foram alguns anos de minha vida. A pele já não tem o mesmo viço e frescor. Os olhos, ligeiramente inchados nas pápebras, já não possuem o brilho de outrora. Há linhas de expressão, ainda que leves, a se formar em meu rosto. Já posso vê-las. Meu corpo, ah, meu corpo... já não possui as curvas tão definidas e o desenho dos músculos já se perdeu. Mas também, o que eu poderia esperar, já não sou mais uma jovenzinha.
Sim, a vida passa e deixa suas marcas, umas visíveis, outras não. As que vejo no espelho e me impressionam (preferia não tê-las) são, de certa forma, as de menos importância. Em meu coração abrigo cicatrizes, que por vezes ainda sangram como feridas abertas. Dores de amores mal vividos, de significativas perdas, de sonhos naufragados, de desejos inconfessos. Essas, sim, são as marcas, que embora não expostas, incomodam mais. Mas é claro que também, a vida já vivida me transmitiu um legado positivo. Até mesmo o sofrimento e, principalmente ele, nos faz evoluir. Posso dizer, então, que meu maior ganho nesses anos tem sido a cada dia, me descobrir, me conhecer, me aceitar e sentir amor, verdadeiramente, por esse ser que enfrenta o próprio medo e se faz a cada passo mais inteira.




Ianê Mello