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sábado, 10 de setembro de 2011

SIMPLES SINAIS




Caminhava pela beira da praia a passos lentos, sentindo a brisa fresca , a maresia e o calor do sol a queimar meu rosto. Olhava as pessoas ao meu redor e suas diferenças marcantes. Pessoa sorrindo e brincando, acompanhados de amigos, pessoas enamorados com seu par, pessoas pensativas e sós, pessoas contemplativas.... As pessoas são sempre um mistério, um universo particular. Elas me interessam como parte de vida que flui em seu caminhar. Eu costumo observá-las por puro prazer de observar-lhes as diferenças e ficar a imaginar o que carregam no peito, afora a aparência que demonstram. É, talvez devesse ter sido psicóloga para melhor estudar o comportamento humano, que sempre me fascina. Não sou, mas estudá-los é um hábito que não me abandona. 
O dia está lindo, um sol gostoso e a brisa fresca. Eu estou só, fora de mim, a observar os seres que passam em meu caminho. Sair de mim às vezes me faz bem e se torna até uma necessidade. Resolvo caminhar pela areia etá o mar. Límpido e claramente azul. Um convite à um mergulho. A água gelada provoca arrepios em meu corpo, mas aos poucos me acostumo e me deixo boiar sobre elas. Que sensação gostosa de liberdade. Deixar-se levar pela correnteza, o corpo totalmente entregue aos braços do mar. Olho para o céu azul e claro. Pássaros a voar, planadores e aviões de propaganda. 
Algo perturba minha tranquilidade. Respingos fortes de água provocados por alguém mais estabanado. Fico de pé na areia e observo. Um feio bonito, como dizia minha mãe, tipo Jean Paul Belmondo. Não entendia bem quando ela dizia isso, mas agora já entendo. Na verdade o que há é um charme qualquer, uma aura, que torna esse homem atrativo. Fique a observar suas longas braçadas nadando para o mais fundo do mar. Bom nadador, coisa que nunca fui. 
Decidi voltar para a areia e tomar um pouco de sol. Nem sei a quanto tempo estava ali. Acho até que adormeci. Sinto de repente a areia quente bem no meu rosto.
- Caramba, mas não olha pra onde anda, não? - falei tirando a areia do rosto e ao levantar a vista quem eu vi? Exatamente ele. O estabanado.
- Poxa, me desculpe, eu sou mesmo um desastrado, falou com convicção.
- Ah, vai, tudo bem. Deixa prá lá.
- Mais uma vez, me perdoe... disse se encaminhando para sua cadeira, que estava próxima a minha, por sinal.
De lá, de sua cadeira, percebo seu olhar em mim. Começo a pensar se não foi proposital  aquela areia em meu rosto. Jeito estranho de aproximação, mas afimal, cada um faz o que pode...
Sua cadeira próxima a minha, a areia, seu olhar... podem ser meros fatos coincidentes. Mas conscidências existem? Eu acho que não. A vida nos revela surpresas  através de sinais que às vezes nem percebemos ...



Ianê Mello







Crédito de ima gem: Pintura de Silvio Zatti