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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

SÃO TANTOS OS CAMINHOS






O caminho das pedras
Quem conhecerá?
O caminho preciso
O caminho perfeito
O melhor caminho
Existirá?

Ah, o melhor caminho
É o que se faz ao andar
Passo a passo
Devagar...

Pé ante pé
Sem pressa
A paisagem apreciar
Colhendo flores
Sentindo espinhos
Plantando sementes
Para frutos semear

Passos leves
Passos firmes
Parar para descansar
No sombreado de uma árvore
O cansaço repousar

Retas, curvas, atalhos
Tantos para trilhar
Pés por vezes cansados
Doridos de tanto andar
Uma bacia de água quente
Um pouco de sal grosso
Poderá aliviar

Poderíamos ter asas
Para às vezes poder voar
Mas asas não temos
Fomos criados assim
Seres bípedes e terrenos

O que nos cabe fazer então?
Acertar o passo
E seguir adiante...
Para onde seguir?
Nunca se sabe


Ianê Mello

(01.02.13)

*

Pintura de autoria desconhecida.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

(DES)UMANIDADE



Cidade de Pedra
asfalto e pó
concretude inabalável
dos altos dos prédios
nas ruas esgotos fedem
calçadas de lixo humano
sobre papelões e jornais
corpos desabrigados
dormem anestesiados
embebidos em álcool
transeuntes passam
apressados e distraídos
já não há surpresa
nessa selva de concreto
a vida segue seu ritmo
não há tempo para sentir
a realidade é o asfalto quente
os carros parados nos sinais
o menino a limpar para-brisas
a busca pela sobrevivência
não há lugar para o sonho
os dias correm iguais
e quando a noite avança
se faz a escuridão nas ruas
no silêncio o choro da criança
é o único som que se faz ouvir
lamento triste que embala a noite
na cidade de asfalto e pó.


Ianê Mello

(30.10.12)

*

 Pintura de autoria desconhecida

Música Incidental: Lady Jane- Olivia Byington



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

NA ESTAÇÃO





Fim de tarde. Todos apressados saem de seus trabalhos. Caminham pelas ruas ligeiramente. A estação de metrô fervilha. Pessoas são como formigas amontoadas a espera do próximo vagão. Há que se ficar esperto para conseguir entrar. E eis que ele chega: já lotado. As pessoas se empurram e se comprimem buscando um espaço que não existe. Parece impossível acreditar que ainda cabe mais um corpo nesse espaço. Mas cabe, tem que caber! O sinal apita. A porta fecha, forçando a entrada ainda mais. Colados no vidro rostos e corpos de expressão cansada mais parecem peixes num aquário. Dentro, uns comprimem-se contra os outros, apertam-se, espremem-se, até quase formarem uma massa compacta, onde não se distinguem mais os corpos, onde um começa e o outro termina. Os cheiros, os rostos, os corpos se misturam, confundem-se, mesclam-se. Uma mulher sente falta de ar. Começa a passar mal e grita. Mas o que fazer? O jeito é esperar a próxima estação. Quando ela chega, a mulher tenta em vão sair...impossível. A massa humana já a espera na estação empurra ela de volta. Nisso, em movimento contrário, um homem de idade é empurrado para fora do vagão. Ele resmunga e tenta entrar de novo, também em vão. Tudo o que resta é cada qual conformar-se, manter a calma e a paciência, respirar bem fundo, fechar os olhos e esperar chegar ao seu destino. Não há nada que se queira mais nessa hora do que chegar em casa, tomar um bom banho, comer um bom prato de comida, assistindo um pouco de televisão. Depois, uma boa noite de sono, para recuperar as energias para enfrentar um novo dia e, com muita sorte, uma volta para casa mais tranquila. Mas do que podemos reclamar afinal, temos uma casa, comida e todo o conforto de um lar, enquanto tantas pessoas nem ao menos isso tem, não é mesmo?


Ianê Mello

(24.10.12)

domingo, 4 de março de 2012

SUBLIMAÇÃO



Lua e Sol
astros luminosos

mulher 

...

plácida entrega
brancura alva


banha-se
de luz

...

transmuta

...

alma que transcende

...

integra-se ao cosmos

...

unifica-se.



Ianê Mello



Crédito de Imagem: Pintura de autoria desconhecida


________

NAMASTÊ!!!

PAZ E LUZ!!!
_________

De: Um Caminho de Luz







quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A TRAVESSIA




Delírio...
sangue a fervilhar
nas veias
quente
olhos esbugalhados
pelo medo deformados
pele num arrepio
fria
na boca
o grito mudo
de espanto
o corpo paralisado
enrijecido
congelado
limiar do medo
iminência da morte
previsão
presciência
fugacidade das horas
transitoriedade da vida
a travessia é inevitável.

Ianê Mello


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mente Inquieta







Minha cama macia e quente
me convida ao doce sono
mas meu coração 
não se aquieta
não se entrega em abandono
Pensamentos me acometem
e me tomam de assalto
como nuvens escuras
que se avolumam no azul do céu
A tempestade se anuncia
como encontrar a paz que anseio?
Meu corpo dorido e cansado
deixa marcas no colchão
Levanto contrariada
É o que me resta no momento
Encontrar algo a fazer
que leve embora esse tormento
Nessas horas eu encontro
na poesia minha salvação
e a ela me entrego
de corpo e alma
As palavras bailam na tela
num vai e vem constante
em rodopios e saltos ...
Às vezes fazem sentido,
noutras, acho que não
Mas o que importa?
Varro da minha mente
a poeira do passado,
as auguras do presente
e quando enfim acabo
deito meu corpo e adormeço...


Ianê Mello


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Amar o Amor





O amor é cheio de segredos
sentimento nobre
embora nem sempre reconhecido
Amor de pequenos gestos
olhares de carinho
toques sutis
constante presença
Amor que se dá
sem nada esperar
sem troca
sem barganha
sem medidas
Amor que cicatriza
antigas feridas
Amor que acalenta o espírito
Amor que renova
Amor que suporta
toda e qualquer prova
Amor que não finda 
Amor que subexiste
Amor que prolifera
no cansaço da espera
Amor que confia
Amor que deseja
pura e simplesmente
...
AMAR




Ianê Mello


sábado, 25 de setembro de 2010

Sonhos de Amor




Cabelos vermelhos de fogo
a cair nas costas desnudas
vestido entreaberto numa insinuação
Mulher-desejo que impera
só nessa cama fria
brancos lençóis de seda pura
na macies de sua pele se mistura
Mulher proibida e desejada
cobiça de olhares masculinos
Mulher que deseja ser amada
pura e simplesmente sem requintes


Ianê Mello




domingo, 7 de março de 2010

Dor da Alma

 



Sinto que me perdi de mim
e não me encontro mais
Quanto mais mergulho em mim
maior o mar da minha solidão
Não há o que aplacar essa dor
Não há o que preencher esse vazio
Estou só... completamente só...
Nem eu mesma me acompanho
e essa é minha pior solidão
Escrevo palavras nesse papel em branco
São minhas lágrimas que choram
Palavras feitas de lágrimas,
movidas pela dor que desconheço,
apenas a faço sentir em meu corpo
De onde vem, como vem, por que vem?
Que dor é essa tão lancinante?
Vem do peito aprisionado,
da garganta  estrangulada
pelo verbo que se cala
Ah...queria poder falar, queria poder gritar!...
mas o grito é aprisionado na garganta
Só me resta esse branco papel
para derramar minhas lágrimas de sangue.


Ianê Mello