O tempo que
escoa
como areia na ampulheta
e nele a nossa vida
desfeita em sonhos,
em nossa liberdade despedaçada
na prisão do tempo encarcerada.
E os sonhos tão sonhados
pintamos em aquarelas
em nossa mente que divaga
e em palavras nos perdemos
porque queremos ser Tudo
e naufragamos no Nada.
No vazio da ilusão
buscamos algum alento
e o que nos resta senão
mais um desapontamento.
No Tudo que nós buscamos
não vemos o essencial.
A resposta está tão perto
e nós percorremos mundos
só encontrando desertos.
Enquanto procuramos fora
esquecemos de olhar para dentro.
Ianê Mello
*
Revirando o
baú em busca de poemas antigos...
Esse é de agosto de 2011.
Para Cora Coralina Cora, Cora, Coralina por dentro sempre menina em seu sorriso a candura em seus atos a bravura da interiorana mulher Com suas mãos preparava os docinhos mais gostosos e com as mesmas compunha os versos mais primorosos Mexendo o doce no tacho escrevendo em seu caderno sua grande sabedoria na simplicidade se revelava na mulher de doces olhos que a todos encantava. Ianê Mello
Em homenagem ao Dia do Escritor, um poema antigo, escrito para o meu querido escritor e poeta FERNANDO PESSOA.
Salve Pessoa!!!
Pessoas em Pessoa
Fernando Pessoa
que pessoa és?
Não és uma única pessoa
és vários...
És Alberto Caeiro
És Ricardo Reis
És Álvaro de Campos
Todos personagens em ti
Heterônimos
que habitam
e coexistem
em tua alma de poeta
Alma fragmentada
em teus múltiplos se expressa
cada qual a teu modo peculiar
Essa a beleza e grandeza de tua poesia
Ser um e ser vários
E quantos poetas
não guardam em si mesmos
esse ser múltiplo e multifacetado?
Não importa quantos heterônimos possuis
a qualidade de tua obra supera qualquer
outra possível indagação
O que seria de nós
sem ti Fernando
que em si abriga
outros tantos poetas de igual grandeza.