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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Casa em Ruínas




A casa vazia e fechada
Janelas cerradas...
Paredes em ruínas
Pelo que dela restou
percebe-se que foi, um dia,
uma bela e confortável casa
Quem terão sido seus habitantes?
Seria uma família numerosa?

Quantos sonhos e desejos
foram em suas paredes abrigados?
Quantas alegrias foram nela vivenciadas?
Quantos segredos escondidos em seus recantos?
Quanta tristeza, quanta dor e traição?

No jardim abandonado,
que outrora devia ser belo,
crescem plantas rasteiras
e o matagal toma conta do quintal
Os frutos das árvores,
um dia suculentos, colhidos no pé
hoje apodrecem, caidos ao chão

Essa casa que um dia
abrigou essas pessoas,
livrando-as do frio e das intempéries,
servindo-lhes de teto, de refúgio,
aconchegando-lhes entre suas paredes
Hoje, abandonada e esquecida
tornou-se apenas escombros


...

Essa casa que um dia
pode ter sido um lar...


Ianê Mello



Reciclado para "Fábrica de Letras" em 07.02.2010.



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Linhas do Tempo




As marcas do tempo
que passa impiedoso
num rosto de mulher
Em linhas traça desenhos
de recordações vividas
Vívidas no rosto que as guarda
Puras em verdades reveladas
Num rosto de mulher
os vincos do passado
para sempre marcados
até o fim de seus dias
para que nunca esquecido
na casa da memória
faça morada a saudade


Ianê Mello

Em homenagem à Addiragram:
Foto de  Addiragram "Memórias?" 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

De Cara Limpa




Essa ruela escura e sombria nessa solidão que avassala 
um coração já cansado de sofrer tantas amarguras, 
tantos dissabores.
O que a vida ainda reserva além dessa escuridão fria?
Quantos perigos nessa rua, quantos recônditos escondidos, 
quantos medos à espreita?
Como posso saber aonde termina se por vezes até o início
se perde na neblina dos sonhos desfeitos, 
de alguém que já não guarda ilusões.
Existe alguma luz lá no final?
Sim, às vezes até posso vê-la quando não encoberta 
pelo desânimo da incessante busca de alcançá-la.
Onde estou afinal, em que mundo?
Quem sou?
O que sou?
Que destino aqui me trouxe, se é que por ele fui trazida?
Que vida é essa que tenho que viver?
Eu a escolhi ou foi escolhida para mim?
Onde está meu livre arbítrio?
Onde está meu poder de escolha?
E se eu não a quiser, posso devolvê-la embrulhada
em papel barato e rude (pois que rudeza bem conheço e 
em vários momentos de minha vida a vivi 
como muitos desafortunados)?
Pode parecer que reclamo à toa, que choro sem razão,
que a angústia que toma meu peito de assalto é quase nada.
Mas é tanta para mim que às vezes penso não poder
mais suportá-la!
Onde posso encontrar abrigo?
Não, não busco mais ninguém para partilhar minhas dores.
Elas são incompreensíveis para a maioria das pessoas, 
para as pessoas comuns que me cercam com sua máscaras
de falsa alegria.
Elas estão tão envoltas nas suas próprias dores 
ou tão ocupadas em manter  a máscara em seus rostos
que certamente não terão um porto em que eu possa 
descansar meu cansaço.
Elas tem muito mais medo do que eu porque nem conseguem 
mostrar seu rosto.
Eu sou meu próprio porto, quando deságuo em mim
lágrimas sentidas e quentes que rolam sobre minha face, 
desprotegida de máscaras. 
Lavando o sofrimento de minh'alma, 
esvazio do peito a angústia que me consome
e adormeço em meu abraço que me conforta.
Assim aprendi a ser...
só no mundo,
única em mim.


Ianê Mello




Reciclado para " Fábrica de Letras "em 29.01.2010.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Divina Comédia





" Dante Alighieri escribió La divina comedia, donde se mezcla la vida real con la sobrenatural. Muestra la lucha entre la nada y la inmortalidad, una lucha donde se superponen tres reinos, tres mundos, logrando una suma de múltiples visuales que nunca se contradicen o se anulan. Los tres mundos; infierno, purgatorio y paraiso muestran tres modos de ser de la humanidad, en ellos se reflejan el vicio, el pasaje del vicio a la virtud y la condición de los hombres perfectos."

(vídeo e texto retirados do site "La otra piel")



A divina comédia humana
que um dia recebemos como herança
quando éramos ainda crianças
e nada sabíamos do mundo.
Como uma dádiva divina acolhemos
em nossas mãos pequeninas
(Presente tão encantador)
e por ela fomos levados,
dia após dia,
na inocência de quem crê.
Com o coração puro
nos entregamos aos feitiços
e as armadilhas da vida
interpretando os papéis
que a nós eram destinados.

Ao bem fomos apresentados
pela ternura de nossos pais
(quando esta houvera).
Tornando-nos crédulos no amor
que nos confortava em seu berço.
Nos sentindo protegidos,
sem nada a temer,
fomos crescendo na certeza
de que a bondade existia.

O tempo foi passando
e com ele a certeza
pouco a pouco fraquejando
cedendo lugar à dúvida.


O mal, então , se apresentou.
Súbito, traiçoeiro e ameaçador.
Revelando o outro lado
da bondade que conhecíamos.
Com ele, a insegurança se instalou
e a paz que então reinava,
pouco a pouco, desmoronou.


A angústia se fez visível
no temor ao inimigo
e em cada gesto contido
que o medo nos imprimia.
A lucidez tomou conta
da ilusão que antes existia
Do amor como sentimento único
que a natureza exprimia.


A dureza dessa revelação
se fez sentir na alma
e com ela a pureza
escorreu por entre os dedos.
A maturidade tomou a vez
da inocência perdida
e assim nos tornamos
cada vez mais humanos,
com todas as virtudes e vícios
que um humano pode ter.


Viver, então, tornou-se
uma eterna e incansável luta
entre o bem e o mal.
Contrários que co-habitam
em nosso ser cheio de contradições.
O conflito que essa dualidade gera
nos faz desejar o perfeito equilíbrio
entre esses dois contrários-
- nossa " área de conforto",
que nutre e revigora
o amor que nos deu a vida.



Ianê Mello





Reciclado para " Fábrica de Letras " em 20.01.2010.