Mostrando postagens com marcador dor do abandono. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dor do abandono. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Casa em Ruínas




A casa vazia e fechada
Janelas cerradas...
Paredes em ruínas
Pelo que dela restou
percebe-se que foi, um dia,
uma bela e confortável casa
Quem terão sido seus habitantes?
Seria uma família numerosa?

Quantos sonhos e desejos
foram em suas paredes abrigados?
Quantas alegrias foram nela vivenciadas?
Quantos segredos escondidos em seus recantos?
Quanta tristeza, quanta dor e traição?

No jardim abandonado,
que outrora devia ser belo,
crescem plantas rasteiras
e o matagal toma conta do quintal
Os frutos das árvores,
um dia suculentos, colhidos no pé
hoje apodrecem, caidos ao chão

Essa casa que um dia
abrigou essas pessoas,
livrando-as do frio e das intempéries,
servindo-lhes de teto, de refúgio,
aconchegando-lhes entre suas paredes
Hoje, abandonada e esquecida
tornou-se apenas escombros


...

Essa casa que um dia
pode ter sido um lar...


Ianê Mello



Reciclado para "Fábrica de Letras" em 07.02.2010.



terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A Triste Dor do Abandono
























Ela foi ferida no peito
por punhais de afetos impuros
que lhe sangraram a alma,
deixando marcas profundas
em seu coração ainda puro


Sim, é sangue o que escorre
de seu corpo quase inerte
Vermelho sangue humano
a escorrer pelo chão
em que pisas sem critério


Ela sente-se impura, frágil
e procura em si uma razão
que justifique tal sentir
Uma explicação para um existir
tão sofrido e sem sentido


Quase pede perdão por ter nascido
embora procure para si
um espaço que lhe caiba
nesse mundo cão


E num grunhido,
gemido sentido de dor,
ao chão se atira
quase em súplica,
como um bicho
quase humano
que rasteja
à procura de uma mão
que o afague


Como um cão que apedrejado,
ferido e triste no abandono
se arrasta fielmente
ao encontro de seu dono.




Ianê Mello


À Marcelo Novaes, que com sua prosa poética tocou minha alma, transformando meu sentir  nesses versos que aqui escrevo em sua homenagem.
Com meu carinho e admiração. 

Leia: O Tinir do Bronze
http://prosaspoeticas-marcelo-novaes.blogspot.com/