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quarta-feira, 25 de junho de 2014

RETRATO EM BRANCO E PRETO




com falsos ares de riso
contidos em seu rosto
o homem não ri
mas seus olhos o denunciam
homem de estranho semblante
por dentro a zombar
daqueles que o contemplam
numa foto em branco e preto
amarelecida pelo tempo
naquele quarto obscuro
onde aranhas tecem suas teias
nas paredes vazias


Ianê Mello
(25.06.14) 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

DESPERTAR


Sinto a vida a pulsar em mim
olhos de encantamento e assombro
a criança que em mim habita
se veste e se enfeita
rodopia, pula e grita
enquanto o adulto se despede
dando lugar ao sonho.


(16.06.14)

domingo, 15 de dezembro de 2013

VERMELHO





Vermelho sangue derramado
vermelho batom em minha boca
vermelho coração apaixonado
vermelho olhar daquela  louca

vermelho céu ao pôr do sol
vermelho cor do peixe espada
vermelho brilho do farol
vermelho retirante na estrada

vermelho corte na partida
vermelho amor que se avizinha
vermelho medo sem saída
vermelho paixão que é toda minha

Ianê Mello
(12.12.13)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

ESTILHAÇOS




Permaneço
na vida que passa
entre risos e lágrimas
e eu
argamassa
nesse eterno construir

água, cal e areia
em fragmentos de mim
reconstruo sentires
ergo colunas
sustento-me de pé

assim é
esse estar no mundo
ora poço sem fundo
ora o infinito
ora o tudo
ora o nada.



Ianê Mello



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

SOB O LENÇOL



O lençol que teu corpo cobre
em pureza se revela
em branca alvura
da carne por ele revestida

...

em algodoados sentires
teu corpo repousa plácido
na memória adormecida
em noites de amor mal dormidas


Ianê Mello


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

ROLETA RUSSA





Jogo duro
sem regras pré-estabelecidas
Jogo que surpreende
a cada virada que dá
não há que se preparar
a jogada pode ser outra
a virada inesperada
pode dar vermelho ou preto
par ou ímpar
na grande roleta russa
da nossa própria vida
Aposte...
não tem como escapar
viver é um eterno apostar
se perder
tente de novo
se ganhar
saiba aproveitar
a vida é um jogo
que se aprende ao jogar




Ianê Mello

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Filhos da Luz




De alabastro
translúcido mineral
incensos e perfumes
a queimar
De cristal
transparente
claro e límpido
De lume
perfeita fonte de luz
reluzente clarão
De perfume
odores de rosa
amadeirados
alecrim, cravo
e canela
De planícies
suave relevo
plano
de beleza ímpar
De constelações
linhas imaginárias
brilhantes formas 
Do universo
o todo, o tudo
estrelas
planetas
satélites
seres vivos
inanimados
nós humanos
feitos de sombra 
feitos de luz
de vida e de morte
do tudo e do nada
seres viventes
nesse Universo
criaturas tal o alabastro
filhos do pó 
de estrelas


Ianê Mello

domingo, 5 de junho de 2011

O TANTO QUE NÃO BASTA





nesse quarto
nesse chão
tanta vida
sem perdão
tantos olhares
sem norte
tantas mãos 
vazias
tanta ternura
sem sorte
tanta busca
sem encontro
tanto tormento
sem ponto
tanta mágoa
escondida
tanta sombra
dividida
tanto amor
sem vida




Ianê Mello

domingo, 25 de outubro de 2009

Prisioneiro do Passado



















Como uma miragem
na mirada do olhar que sonha
conhecida e doce paisagem
Abismo de ilusões
perdidas em longa viagem
Resquícios de um momento
que passou e não volta mais

Na busca do tempo perdido
há de se encontrar um sentido
para tanto desalento
e a vida como o vento
a escorrer por entre os dedos
das mãos que em vão tentam retê-la

Vida não se retêm, se vive
(e por vezes sobrevive)
ao relento e com alento
num coração despedaçado
nos sonhos acorrentado
contra uma realidade brutal

E não há que ser fatal
pois da vida só se leva
o que é  nosso por direito
Espernear não resolve
Quem se comove?
Não tem jeito... 

Na vida tudo se move
na exata e precisa direção
que no ser  sempre promove
crescimento e renovação
Abrindo novos horizontes
novas idéias e valores
construindo novas pontes
experienciando outros sabores

Não adianta resistir
É o caminho natural
Entregar-se é a única forma
sem debater-se em vão...


Pode parecer até banal
mas é próprio do humano
ao passado aprisionar-se
e com ato tão insano
fechar as portas ao novo

No velho busca conforto
e nos desvãos do passado
qual navio atracado
permanece ancorado 

em seu limitado porto





Ianê Mello






http://literapurablog.blogspot.com/

domingo, 18 de outubro de 2009

Maternidade





"Depois que um corpo comporta outro corpo,
   nenhum coração suporta o pouco.”

Alice Ruiz
                                                   



Há um ditado que diz:
"Ser mãe é padecer no paraíso"
Esse ditado infeliz
me leva à reflexão
Mas será que é preciso
padecer para ser mãe
Não se pode simplesmente
amar docemente
o ser humano que de nós nasceu
Entregando-nos com ternura
à essa beleza tão pura
que é dar a luz a outro ser?
Assim, em profunda doação,
com o coração entregue
à sentimento tão nobre
faz-se por ele o que se pode
querendo sempre poder mais
o que nos torna incapaz
de nutrir o pensamento
de que tudo o que fizemos
foi bastante no momento.
Descontentes vamos, então,
seguindo pela vida afora
sentindo que ainda foi pouco
e que amar não tem hora.






Ianê Mello

          



sábado, 10 de outubro de 2009

Desvelamento















Nas sombras

busco
a luminosidade
secreta
do inconsciente
que se revela
dando voz
a emoção


Tudo que cala
dentro
fora
se transmuta
em dor
No oculto
do sentimento
Revela-se
a pureza
do abrir
em flor

Ianê Mello



Catarse Poética


 

























A alma do poeta expressa
uma forma diferente de sentir
Longe do mundo e da pressa
Revelando algo que está por vir

Enternece tão somente
àqueles que por ela são tocados
Uma alegria para quem sente
os seus sentimentos revelados

Pois com sua palavra e voz
ele pode transpor muros
e ajuda a desatar os nós
aliviando os corações mais puros

Com sua alma exposta
e seu coração na mão
se entrega com paixão ao que gosta
e compõe notas da mais pura emoção

Com palavras ele desenha
como o pintor com seu pincel
Pois do cofre ele tem a senha
Colorindo o branco do papel

Revela sem medo suas dores
e expõe desejos contidos
Fala até mesmo de seus amores
e pensamentos proibidos

Numa catarse de emoções
sua alma aflora e se liberta
Florindo nas mais belas estações
lapidando sua dor mais secreta

Com a alma purificada
e o coração atento
Não busca da vida mais nada
do que a leveza do momento


Ianê Mello

Máquinas Humanas
















Corpos amontoados como bichos

Espremidos uns contra os outros
Seres Humanos?
Sim, isso eles ainda são
Mais que corpos
Almas com sentimentos
Dores e alegrias
Tristezas e fantasias
Talvez ainda algum sonho...


Mas olhando assim
mais parecem não humanos
Apenas corpos entregues
ao descaso e ao cansaço
Expostos a batalha incessante
pelo pão de cada dia
Ignorados em suas reais necessidades
Carentes de atenção e afeto
Sem direito a voz
Sem tréguas
Apenas máquinas
Peças de uma engrenagem
que precisa funcionar
e que quando já gastas
simplesmente são trocadas por novas
Escravos de um sistema
que aprisiona e embota
sentimentos humanos


Olhos cansados e perdidos
no vazio de sentido
de uma vida sem paixões
Sentimentos ocultos
abafados na perda das ilusões
Corpos mutilados
rígidos e trancados
em si mesmos castrados
Aniquilados em sua existência
Acorrentados por invisíveis correntes
numa rotina de auto-flagelação


Para onde caminha a humanidade
perdida numa vida sem razão?

Ianê Mello



quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Vida em comum

























 

Tua imagem posso ver
através da fina espessura
que nos separa e difere
Somos dois e cada um
guarda em si um mundo
particular e repleto,
diferente e diverso
O espaço que nos une
é o sentimento que cultivamos
em nossas horas de afeto,
em nossas semelhanças expressas,
em nosso carinho manifesto
Então nessa hora somos um
no amor que nos protege,
nos conforta e fortalece
e nos vemos de perto
desejando partilhar
esses belos momentos
de perfeita comunhão
E nossa vida assim segue
seu caminho natural
e procuramos plantar rosas
sabendo que existem espinhos.

Ianê Mello