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quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Conversa com Drummond
Para Carlos Drummond de Andrade
O quanto você riria, poeta
um riso frouxo e feliz
de ver sua estatueta
em plena praia de copacabana
você, mineiro de Itabira,
tendo a seu lado, simplório,
debaixo de pleno sol,
sem pruridos ou vergonha,
sem com nada se importar,
homem de origem simples
sentado a conversar
vai se saber que prosa
ele está a entoar
mas parece animado
de contigo prosear! ...
Há, como ririas, poeta,
ao ver seus pequenos óculos,
aquele mesmo com que lias
ser retirado na madrugada
sabe-se lá com que intuito
por uma pessoa qualquer,
e, ao amanhecer, numa faixa,
você riria ao ler:
"não roubem meus óculos,
leiam meus livros" !
Mas que povo engraçado,
você certamante pensaria,
roubar um óculos
apenas por puro prazer
já que nem servem para ler!
Querido poeta, que saudade
de seus versos que universos
desvendaram para mim
em meu coração permaneces,
mineirinho de itabira,
e com carinho me recordo:
"Vai, Carlos! ser gauche na vida."
Ianê Mello
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Ao amanhecer

O dia amanhece...
Meus olhos cansados
fitam o sol que perpassa
pelas frestas da cortina
Mais uma manhã se inicia
Lá fora o mundo urge
Vida que pulsa
Mas quero ficar aqui
Permanecer anônima
nessas quatro paredes
que me envolvem
Útero materno
quente e protetor
Templo de mim
Abrigo e refúgio
Penso em me deixar estar
por mais alguns momentos
nesse porto que me abriga
aconchego para o meu cansaço
No corpo dolorido sinais
de uma noite mal dormida
Atormentada pelos demônios interiores
que avassalam pela noite adentro
pertubando o doce sono
Desejo esvaziar minha mente
de todos os pensamentos
Transformá-la numa tábula rasa
sem nenhum registro
para ser lembrado
Mas reflito...
Que triste seria livrar-me
das reminiscências do passado
que me tornaram o que sou
Da construção de toda uma vida
Negar minha própria existência
como quem abandona a bagagem
num aeroporto vazio
num país estranho
Delírios...
Loucos pensamentos
Divagações da mente
Abro os olhos
Estico braços e pernas
num espreguiçar gostoso
sinto meu corpo despertar
Me levanto e abro as cortinas
e pela janela deixo o sol entrar
Ianê Mello
domingo, 11 de outubro de 2009
Silenciosa Solidão

Não sei o que escondo
e o que mostro
Em alguns momentos aposto
no silêncio da solidão
Nas palavras que se calam
na ausência de som
no escuro da noite
Preciso estar só comigo
Descansar meu cansaço
Me desligar do mundo
Mergulhar bem fundo
no meu interior
Me incomodam os rumores
que fazem perder a clareza
Meus pensamentos levitam
Pairam acima de minha cabeça
Parecem querer fugir
de uma mente já cansada
Procuro em vão encontrar
as palavras que expressem
o meu sentir (des)conexo
Misto de prazer e dor
Dualidade presente
nesse coração solitário
que busca dentro encontrar
seu verdadeiro tesouro
Essa solitária busca
exige dedicação incondicional
Pode parecer anormal
aos olhos desavisados
mas só quero estar em mim
Inteira, íntegra e real
Tal desejo que expresso
não será universal
e comum a todos os seres
que fogem do que é banal?
Tantas vozes, tantos sons
zumbindo em meus ouvidos
Interrompendo o fluxo
das idéias em minha mente
Não consigo encontrar
a paz de que necessito
Preciso dizer num grito:
- Deixem-me em paz com a minha solidão!
Ianê Mello
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
A Vida em Atos

Máscaras a encobrir nossa face
Criadas pelo medo
que se instala no ser
obscurecido pela ausência
do verdadeiro eu
Emolduram o rosto
e em seu contínuo uso
nele tomam forma
De tal maneira
se incorporam e se amoldam
que torna-se difícil
vislumbrar a face original
No exercício constante do disfarce
a consciência de si mesmo
se perde pouco a pouco
No palco da vida
Personagens assumem seu papel
No diário teatro de máscaras
Ianê Mello

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