Mostrando postagens com marcador labirintos da alma. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador labirintos da alma. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Centelha Divina


"Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu..."


A Idade do Céu - Paulinho Moska



Somos um grão de areia
na imensidão do mar
Somos uma pequena fagulha
rápido clarão no fogo do céu


Somos uma centelha de luz
uma breve aparição
Somos uma voz difusa
no silêncio do mundo


Somos uma presença breve
no vasto universo
um lampejo divino
um sopro de calor 


Somos um pequeno coração
pulsando  na imensidão
no bater das horas
nas explosões estelares


Deixe que o tempo passe
apenas sinta o pulsar
da vida que sempre renasce
independente de nós.




Ianê Mello



Inspirado em  A Idade do Céu (Jorge Drexler - vs. Paulinho Moska)




(Republicação da postagem original de 
07/11/11)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Mãos de Afeto




Na areia nua
solitária rosa
rosa carmim

docemente adormecida    
repousa...  
                                    

a espera...
quem sabe    
de amorosas mãos
que a acolham


Ianê Mello







*Créditos de imagem: Carlo Russo

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Palavra Liberta






palavras...palavras...
nem sempre exatas
imprecisas palavras
palavras comedidas
palavras sufocadas
palavras enjauladas
palavras perdidas
palavras mutiladas
palavras nutridas
palavras em botão
palavras sim
palavras não
palavras de bom tom
palavras semitonadas
palavras desafinadas
palavras soltas
palavras asas


....


AVE PALAVRA!!!!!!


Ianê Mello


Créditos de Imagem: Borodin Alexey



domingo, 20 de novembro de 2011

Serei eu essa que fito?









me abstenho
me abasteço
me anulo
me mostro
me perco
me acho
me invado
me acovardo
me gosto
me odeio
me visto 
me dispo
me abro
me tranco
me surpreendo
me espanto
me calo


...




me olho...


...


não me vejo






Ianê Mello




Créditos de imagem: Foto de Devian Art

Esquadros




traço ângulos

perpendiculares
(tri) ângulos 
(re) ângulos
circundo retas
(semi) círculos
traço paralelas
(re) traio
(con) traio
expando
espio
esquadrinho
(re) cantos
recônditos
escaninhos 

crio nichos
esconderijos
cavidades ocultas
(a) dentro
por dentro
...
e fico.


Ianê Mello







Créditos de imagem : Pintura de Kandinsky




*Inspirado na música Esquadros 




segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"Je ne regrete rien"





Para Mario Lago








dizia jamais lamentar
pois foi movido a paixão
e por ela tudo fez
sua vida um etermo espetáculo
não foi como "Carolina" de Chico
que a vida viu passar pela janela,
tampouco assistiu de camarote,
sempre esteve na passarela
Grande Mario, lago fértil
profundo em suas águas
em tudo se fez intenso
por tudo se fez amante.








Ianê Mello, em Vozes em Madrigal, homenagem à Mário Lago.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Vinho de Verão





caminho na cidade
numa terra estranha, inóspita
os pés calejados
vestidos em botas de couro
armado de esporas de prata
que soavam no silêncio
das ruas nuas
das casas fechadas:
cidade fantasma


ela  me avistou ao longe
ouviu o som de minhas esporas
caminhou serena em minha direção
cabelos ao vento
pés descalços, alma nua...
...desarmada...
era a visão de um anjo
em meio a aridez desértica


ofereceu-me vinho,
morangos, cerejas e
um doce beijo,
de um anjo,
em meus lábios deitou...
sorvi o frescor do vinho
...vinho de verão.




Ianê Mello




*Inspirado em Summer Wine - The Corrs e Bono Vox

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Adormecer em Mim






Não, não quero mais palavras rotas
despidas de significado
quero o silêncio
que embala as madrugadas
solitárias ...
quero a ausência de som
preciso me ouvir
meus batimentos
meu pulsar
meu ritmo
quero a solidão das horas
do tempo presente
quero tempo
pra ter tempo
de pensar no futuro
quero o escuro
apague...
apague essas luzes que me cegam
para que eu possa melhor me ver
a claridade não me permite
olhar pra dentro
são muitas as distrações
os convites aos olhares curiosos
preciso de mim mesma
de meus próprios olhos
fechados em mim
voltados pra dentro de mim
preciso de mim
para encontrar
minha paz
meu remanso
minha sintonia
e depois, quem sabe,
adormecer...


Ianê Mello






Créditos de imagem: Foto de Monalli

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Natureza Selvagem




"Há um prazer nas florestas desconhecidas;
Um entusiasmo na costa solitária;
Uma sociedade onde ninguém penetra;
Pelo mar profundo e música em seu rugir;
Amo não menos o homem, mas mais a natureza..."

Lord Byron


na natureza selvagem
agora eu caminho
mistérios me acompanham
desconhecidas rotas
sinto que estou caindo
caindo em segurança
de um mundo produzido
que não era meu
para um mundo natural
cada vez mais para dentro
para dentro de mim
protegido pelo animal 
que me habita
pela minha natureza selvagem
as luzes do que um dia fui 
se apagaram
não sei mais quem sou
não, mas não tenho medo
eu tenho essa luz que me guia
que está dentro de mim
na solidão das minhas noites
em que me encontro comigo
com a minha natureza selvagem
longas noites passarei
lobo solitário
a uivar para a lua.

Ianê Mello


Inspirado em Long Nigh - Eddie Vedder

domingo, 6 de novembro de 2011

Gozo Profundo







A carne trêmula
desejos febris
bocas arfantes
se procuram...


mãos em carícias
dedos, línguas, pele
nos corpos nus
liquefeitos em suores
odores de almiscares
um cheiro de amor
espalhado no ar
a enlouquecer...


amor sem fronteiras
busca do prazer
sem limites
seu corpo no meu
meu corpo no seu


......


dentro...


......


estremecem num só
amantes em uníssono
explodem num gozo 
que lentamente escorre
... 
manchando os lençóis.




Ianê Mello

Proibido Ultrapassar








Olha, tenha cuidado,
não venha ultrapassar
o limite que é meu.
Nem deves ousar tentar:
esse campo não é seu.


Se público ele fosse
estaria a céu aberto
para qualquer um transitar,
mas estás vendo, decerto,
porque teimas em avançar.


Venha com calma, seu moço,
que os cães podem ladrar
e não pense que não mordem,
é melhor não provocar...


Se queres ser bem vindo
achegue-se bem devagar,
um pouco de cada vez...
... observe com o olhar...
depois de um tempo talvez
possa deixar-te entrar.


Mas que fique já bem claro
que lutei por esse espaço 
e sempre o defenderei,
pois me é caro e raro.
Não o entregarei a ninguém
pois com minhas mãos eu faço
a cerca que me convêm.




Ianê Mello

Tela em Branco





Peguei minhas tintas,
meus pincéis e minha tela,
cavalete e banquinho
e me sentei para pintar
Num sorriso percebi
quantas cores belas
a saltar em meus olhos
Azul, vermelho, amarelo
rosa, laranja, verde
......

Resolvi todas misturá-las
e procurar meu próprio tom
Algo que fosse entre
o laranja e vermelho,
o azul e o verde,
o rosa e o lilás...
uma cor especial
que expressasse meu ser

Olhei para a tela em branco,
a  paz me iluminou
e, como, num encanto percebi,
minha cor já era aquela.


Ianê Mello



Créditos de imagem: Jerry LoFaro





sábado, 5 de novembro de 2011

O BEIJO DE UM ANJO


             Philip Glass - The Kiss (HD)





Na rua um corpo de mulher
nu... atirado ao chão
a chuva a encobrí-lo
como um manto
em pesadas gotas
faz muito frio...
parece adormecido
entregue a dor tão profunda
que não se move
deixando a água a fluir sobre si
como um rio que banha
momentaneamente se move
aparentemente desperto
de um sono profundo
mas não encontra
forças para se erguer
e assim se mantem ao chão
mas seu espírito se eleva
nas asas de uma libélula
um anjo de luz
que voeja em raios de sol
num vôo de libertação
O sol perpassa
as gotículas de chuva
e nuvens se formam
e se avolumam
cálidas, alvas e envolventes
e brilham como estrelas
que pouco a pouco vestem
esse corpo de mulher
envolvendo sua nudez
em flocos brilhantes
enquanto seu corpo
antes inerte se ergue mais e mais
e ao ir se erguendo
quando completamente
coberta por uma veste
de nuvens algodoadas
de uma brancura alva
e purificadora
começa lentamente a caminhar
em direção a branca luz
e dela se aproxima
compreendendo o real sentido
compreendendo que sua vida findara
entrega seu corpo ao negro pássaro
e sem mais resistência
liberta seu corpo que jaz
Assim...
Inicia-se o bailado da vida e da morte
e a alma, enfim, se liberta.


Ianê Mello


Inspirado em Philip Glass "The Kiss".

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Falsa Imagem




Cai dessa pose
será que você não vê
orgulho não leva a nada
somos todos iguais
carne e osso
filhos do pó de estrelas
nascidos para brilhar
então me olha
e me vê
além da aparência
sou humana como você
tire a máscara da vaidade
que sua face encobre
mostra seu eu verdadeiro
sua essência mais nobre
pois no fim de tudo
pó que somos
ao pó retornaremos


Ianê Mello

Terapia do Ócio




Tem coisa mais gostosa
do que deitar numa rede
e adivinhar desenhos nas nuves?
Ficar de papo pro ar
sem ver o tempo passar
em verdadeira preguiça?
Entregar-se ao ócio
e dele fazer terapia
descansando dessa vida
de eterna correria?

Ah, vai dizer que não
que é pecado então
e pura perda de tempo
deixar escorrer as horas
esquecer o mundo lá fora
e na cama se aninhar
deitar o corpo no gramado
fechar os olhos bem fechados
e ouvir os pássaros a cantar
sentindo a doce brisa
seu rosto acarinhar

Quero ser bicho-preguiça
e viver esses momentos
sem culpa, nem ressentimentos
pois se a vida é para ser curtida
vamos fazê-la valer a pena.

Ianê Mello, em Sábado Poético, Os sete Pecados Capitais - Preguiça.

Conversa com Drummond





Para Carlos Drummond de Andrade


O quanto você riria, poeta
um riso frouxo e feliz
de ver sua estatueta
em plena praia de copacabana
você, mineiro de Itabira,
tendo a seu lado, simplório,
debaixo de pleno sol,
sem pruridos ou vergonha,
sem com nada se importar,
homem de origem simples
sentado a conversar
vai se saber que prosa
ele está a entoar
mas parece animado
de contigo prosear! ...

Há, como ririas, poeta,
ao ver seus pequenos óculos,
aquele mesmo com que lias
ser retirado na madrugada
sabe-se lá com que intuito
por uma pessoa qualquer,
e, ao amanhecer, numa faixa,
você riria ao ler:
"não roubem meus óculos,
leiam meus livros" !

Mas que povo engraçado,
você certamante pensaria,
roubar um óculos
apenas por puro prazer
já que nem servem para ler!

Querido poeta, que saudade
de seus versos que universos
desvendaram para mim
em meu coração permaneces,
mineirinho de itabira,
e com carinho me recordo:
"Vai, Carlos! ser gauche na vida."

Ianê Mello



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Palavra





Palavra fala
palavra cala
palavra consente
palavra ausente
palavra viva
palavra morta
palavrAção
palavra sente
palavra mente
Palavra lava
Pá lavra.





Ianê Mello

Da Luz e do Sol








Aos poucos 
o corpo inerte
a fala pouca
o gesto mínimo


Aos poucos 
a vida
por um fio
centelha de vida
mortalha humana


Aos poucos
o sol
o brilho
a noite que se apaga
a vida
que renasce


Viva a vida!


Vida viva.






Ianê Mello

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nós Atados



efêmeras amizades
...
um dia flores
noutro espinhos
um dia amigos
noutro...
o silêncio
não espero mais
do que vier,
se vier...
cansei de ser autêntica
e ser incompreendida
cansei de palavras vãs
que não se cumprem
cansei de meias palavras
que nada acrescentam
cansei de sorrisos
em rostos vazios
cansei de preparativos
para uma festa
que depois não se realiza
e fica apenas o vazio
a incompletude
o nada.


Ianê Mello

Sonata do Luar





Lua prata
solidão azul
estrelas cintilantes
brilham como luz
nos olhos que choram





Ianê Mello