quarta-feira, 9 de junho de 2010

O Espinho da Flor




Quanta dor pelo caminho
Quantas pedras a transpor
Há rosas, mas também há espinhos
Não há como se livrar da dor

Sinta então o perfume da flor
a suavidade de suas pétalas,
sua beleza, sua cor
Observe sua delicadeza
e aos teu olhos ela se tornará
uma preciosa manifestação da natureza

Agora, com cuidado, sinta seus espinhos
São duros, espetam, fazem sangrar
Mas se tocar-lhe com delicadeza,
por respeitar sua existência, não se ferirá

Cultive a rosa que deténs em tuas mãos
Respeitando sua fragilidade
Reconhecendo seus espinhos
E dela usufruirás a beleza
Cada vez mais em teu caminho.


Ianê Mello


Calmaria




Quando tudo cala
e é só silêncio
A paz que dentro se instala
Não é necessária a fala
Não faz sentido a voz
Tudo é calma
A alma  se manifesta em luz
com seu clarão iluminando o caminho
E tudo se faz simples
Os olhos do coração se abrem
e o amor se manifesta
Tudo é silêncio e Luz.


Ianê Mello








terça-feira, 8 de junho de 2010

Amor Real






Quantas faces tem o amor
quando no limite da paixão ódio se torna
Quando não corespondido
Quando rejeitado
Ah... o amor  quando maltratado
Sentimento tão sublime
em sua pura essência
mas capaz de cometer crimes
numa total inconsciência

Toda a beleza de amar
no egoísmo se perde
Quando a posse se apodera
dos sentimos mais puros e belos

Amor é liberdade
Amor é companheirismo, sem vaidades
É entrega, é perdão, mas nunca fixação
É compreender o ser que no outro habita
É dar-se as mãos em busca de um ideal.


Ianê Mello

domingo, 6 de junho de 2010

Meu Cantar





Minha voz grita na garganta
Minhas cordas vocais vibram
É amor puro, é prazer, é dom
Quando o som  reverbera no ar
Sinto minha alma se desprender
Meu corpo flutua
Meus pés se desprendem do chão
Sou acordes musicais,
dissonantes ou afinados
Por vezes um lamento
Por vezes com a força de um trovão
Nem sempre doce, mas com um quê de suavidade
É a minha voz! Sai de minhas entranhas
E como é bom sentí-la
Nem a todos agrado, bem sei
Mas o que mais me importa é a liberdade
de bradar aos sete ventos meu canto
O resto... é pura consequência
Não quero fama, não quero brilhos e paetês
Quero apenas mostrar um pouco de mim no que canto
Para quem quiser me ouvir...
Se quiser me ouvir


Ianê Mello


quinta-feira, 3 de junho de 2010

Mais um dia...


Tela de Francine Van Hove


Acordei...mais um dia
Vesti-me como uma autômata
Jeans,camiseta e tênis
Cabelos em desalinho
Olhos de uma noite mal dormida

Dentro do peito um vazio
Uma vontade de nada
Bati a porta de casa e saí
Tudo parecia tão igual
Eu tão igual a mim mesma

Os olhos embaçados
turvavam minha visão
Seriam lágrimas que rolavam em minha face?
Não importa, é sempre assim

Caminhei...caminhei... quanto tempo não sei
Tanto faz, afinal, o que é o tempo?
Pensava que ao sair à rua encontraria mais calor
Mas senti mais frio do que antes

Pensava encontrar rostos amigáveis,
uma palavra, um abrigo
Mas meu corpo estava frio
Cada vez mais gélido

Voltei pra casa correndo
Deitei enrodilhada em minha cama
Puxei o edredon até não mostrar mais meu corpo
Pouco a pouco meu corpo se aqueceu...

Adormeci.



Ianê Mello