sexta-feira, 15 de julho de 2011
SOPRO NA FERIDA
O despertar
é doloroso
O céu que se abre
em fendas
por detrás das nuvens
deixando entrever o sol
O despertar
é lento
vagaroso
e deixa no ar
um cheiro ocre
forte e corrosivo
A chuva na terra vazia
perto de nossa casa
um canteiro
com um aviso
para que nunca
brote ali
uma rosa, um gerânio
um cravo, uma hortência
um comigo-ninguem-pode
Chove ...
na terra vazia
E quando amanhece o dia
nublado em suas visões
nasce apenas mais um dia
num céu coberto de nuvens
frias e pálidas
Olhos que fitam
perdidos no amanhã sombrio
na espera que cansa
na solidão que arde
Mãos em abandono
ao findar a tarde
Ianê Mello
Créditos de imagem: Mario Mensassi
MULHER DIVIDIDA
Mulher...
Foste brindada pela vida
com o dom da maternidade
Pouca beleza não há
em ter referido dom
Mas quantas vezes partida
nos sentimos por detê-lo
Quantas vezes divididas
entre o certo e o errado
Tarefa difícil, ser mãe e mulher
e conservar-se íntegra em teus princípios
e lembar-se que um ser tu és,
com vontade e desejos,
por vezes tão ocultos e
de somenos importância
Quantas vezes nos quedamos
aos desejos de nossos filhos
E por amá-los como os amamos
esquecemos os nossos próprios
Nos partimos e repartimos
em amores tão diversos...
Mulher e mãe...
E o que somos nós
nessa dedicação sem fim
Quando olhamos para trás,
filhos crescidos e criados
E nós, perdidas em desejos de outrora
que por vezes já nem sequer desejamos mais.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
CANÇÃO DA VIDA
Numa casinha escondida
a um canto do coração
lá a saudade mora
onde canta uma canção
Reviver tempos vividos
na beleza de outrora
Quisera poder relembrar
um pouco da minha história
Construída com muito zelo
por momentos bem vividos
e outros ainda por viver
pelo tempo corrompidos
Mas enquanto vida eu tiver
hei de cada instante viver
como se fora o único
pois o que se leva dessa vida
são os momentos que se pode obter
Ianê Mello
quarta-feira, 13 de julho de 2011
O GRITO
O grito preso na garganta
aprisionado na dor
No rosto, o pavor
estampado no espanto
Que visão tão terrível
ameaçaria o encanto
de percorrer novas trilhas
nessa estrada de pedra e sol
No humano que habita
a curiosidade desperta
A vontade de desvendar
mistérios ocultos
Da visão desconhecida
daquilo que se chama vida
resta sorver até o fim
Possibilidades infindas
não dominadas pelo medo
Lançar-se no escuro, no breu
não é sinônimo de loucura
Para viver a vida
é necessária a procura,
a ousadia de ser sem limites
Reagir ao medo que trava
Libertar-se das amarras que prendem
Usar a chave de sua própria prisão
contruída pelo pavor do desconhecido
Liberte-se de si mesmo,
de seu ego, de seu egoísmo
Lembre-se que só você tem a chave
A chave que te prende
é a mesma que te liberta
Ianê Mello
Crédito de imagem: Pintura de Edward Munch
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