domingo, 5 de fevereiro de 2012

DORES AVULSAS



  

Num canto encolhida
Solidão a espreita
Numa poça d’água
me desfaço
Pedaços de mim
Espalhados ... diluídos


Assim vim ao mundo
mesmo não desejada
ou quem sabe
um pouco amada
uma parte de algo
uma parte de nada
 

Por tudo ser
completa em mim
por viva estar
assim nasci...


escorreguei pro mundo
do escuro do ventre materno
no líquido amniótico
que  envolvia meu frágil ser


Nesse dia frio e cinzento
Filha do desamor
nasci triste...


Agora sei o por quê.



Ianê Mello


 *

Crédito de Imagem: Pintura de Salvador Dali

sábado, 4 de fevereiro de 2012

NÃO DEMORA, VEM!



Eu ainda te espero chegar...
vai demorar???
o amor não sabe esperar...
o amor é urgente
ele chama, ele clama
ele grita por você
não me deixe só...
solidão deixa feridas
que não cicatrizam mais
nem mesmo o tempo
nem mesmo a distância
nada importa
nada me impede
de tê-lo comigo
sempre
dentro de mim.



Ianê Mello

**Inspirado na música O amor não sabe esperar - Hebert Vianna. 

ANOITECE EM MIM



A aurora se anuncia
o sol se põe por detrás do monte
dentro uma solidão triste e vazia
inquieta o coração que pulsa


Mais um dia que se foi
e na ausência do sol
a esperança  que se esvai...


Roupas dependuradas
desgastadas pelo uso
um par de sapatos
num canto esquecidos


Na porta trancada
a dor da espera
em cinzas de cigarro
que se espalham pelo chão


Nas paredes amarelecidas
sombras  de lembranças
que se mostram ao olhar
enquanto a noite cai ...



Ianê Mello 



**Inspirado em Wasted Sunset – Deep Purple

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A CHAMA VIOLETA



Pitura: Sr. do Vale



A razão e o sentido que transcendem
em conexão direta com o divino
Consciência humana elevada
em seu estágio superior
Prana que se eleva e atinge
seu  máximo ponto
Energia vital em seu ápice
na cor violeta que ilumina
harmonizando todo o ser

Espírito em luz banhado
Paz que se renova e reluz.


Ianê Mello


Inspiração: Pintura Sr. do Vale


* Publicado originalmente em 16/01/10


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EFEMERIDADE



               

No transpassar das horas
minutos infindos
segundos infinitesimais
no escoar das horas
ponteiros que se desmancham
em relógios imaginários, dalilescos
relógios que se derretem
na efemeridade do tempo
em sua completa relatividade
tempo que escorre
tempo que morre
tempo, tempo, tempo
no diluir das horas
no correr dos dias
onde nos perdemos
a eternidade dura um único instante
nos pequenos momentos vividos
e naqueles que deixamos de viver.


Ianê Mello

*

Crédito de Imagem:  Salvador Dali " Relógio Explodindo"