domingo, 8 de dezembro de 2013

ALÉM DO OLHAR



A vida segue seu curso
em dias tão iguais
em dias tão diversos
tristeza, alegria
pranto, riso...
sentir é preciso

a cada anoitecer
a cada por do sol
uma nova esperança
uma flor que renasce
uma estrela que brilha
um fruto maduro
... caído do pé

É preciso seguir
é preciso ter fé
fé no amanhã
fé no que virá
secar as lágrimas
alongar o olhar


Ianê Mello

(08.12.13)

sábado, 23 de novembro de 2013

VIVER A VIDA



Dizer da vida essa ternura infinda
Vestida de azuis, perfumes e jasmins
Vida vivida em plenitude
Vida a transbordar sentires

Dizer da vida essa procura insensata
Em dúvidas travestida, dia a dia
Dissabores a moldar-lhe a face
Olhos obscurecidos pela espera

Dizer da vida esse desejo intenso
Cores, brilhos, primaveras em flor
Na pele o arrepio da surpresa
A beleza que transpassa toda dor

Dizer da vida eu poderia um pouco mais
Detalhes absorvidos pelos anos
Fio a fio o engendrar da trama
Da aranha que tece seu tear

Dizer da vida e perder-me em palavras
Palavras que com o tempo se vão
Melhor então vivê-la em silêncio
Na entrega que permeia a paixão.

Ianê Mello
(11.11.13)




sexta-feira, 22 de novembro de 2013

FONTE FECUNDA



Entremeados verbos
obscuro sentido
na lucidez da trama
palavras que são véus

nas entrelinhas
teias de segredos
improváveis de decifrar
mescla entre real e imaginário

variáveis as vertentes
alimentam-se de si mesmas
num processo de recriar-se
contemplam a eterna sede de existir


In Tessituras e Tramas , Editora Verve, 2013
Ianê Mello.

Quem se interessar em adquirir um exemplar basta acessar o link:
http://www.livrariareliquia.com.br/tessituras-e-tramas.html

* Foto de Felipe Abrahão Monteiro no Pelada Poética No Leme.

sábado, 19 de outubro de 2013

QUE O SILÊNCIO ME VALHA



Encantar serpentes com palavras
Ofício por demais engenhoso
Voláteis, impactantes palavras
Presas de uma teia de enredos
Perdidas entre seixos de pedras
Escorregadias ao toque das mãos
Fugidias, ambíguas, cortantes
Penetrantes, pungentes
Enquanto vivas e despertas
Esmaecidas em seu brilho
Quando a esmo pronunciadas
Palavras cansadas
Enfraquecidas pelo uso
Numa fraca eloquência
Sem propósito ou valia
Que o silêncio fale por elas
Quando a boca se cala
Que o silêncio seja bendito
Preenchendo o vazio de sons


Ianê Mello

(18.10.13)

*
Pintura de Rene Magritte

terça-feira, 30 de julho de 2013

PRENÚNCIO




Penumbra...
sombras arqueadas
vertigens do dia
silêncio...
vozes inaudíveis
sentires, tremores
vida que se esvai
gotas de melancolia
derramadas
sonhos dispersos
olhar que prescruta
escuridões submersas
sons habitados
no vazio
noite que avança
pela madrugada
em tons púrpuras
sentir é preciso
rasgar a carne
sangrar a ferida
rosa de espinhos
cravejada
macias pétalas
rubras
inevitável ferida
será assim a vida
esse prenúncio da morte?



Ianê Mello

(30.07.13)

*

 Fotografia de Amber Ortolano .

*
Poema inspirado em Jean Michel Jarre - Rendez-Vous 1986 (Full Album)