quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

DESGOVERNADA



Esperas infindas
gestos perdidos
abraços guardados

êxtases fugazes
palavras desditas
irreal paisagem

em terras estranhas
em mares bravios
perdido em tempestades

Ah, o amor...
esse animal indomável
simplesmente me leva

Pra onde
não sei...


Ianê Mello.
(06.01.16)

domingo, 22 de fevereiro de 2015

SUA AUSÊNCIA




Eu sinto tanto
tanto a sua falta
amores escondidos
em tardes nuas
olhares entorpecidos
em brancas nuvens
bocas emudecidas
num doce beijo

Ah, eu sinto tanto
tanto a sua falta
corpos entrelaçados
num tácito encontro
desejos adormecidos
em lençóis de seda
almas interligadas
numa espera muda

Ah, como eu sinto
sinto tanto a sua falta
noites enluaradas
ao balançar da rede
palavras sussurradas
ao pé do ouvido
corpos anestesiados
pela embriaguez do vinho

Ah, mas como eu sinto
sinto tanto a sua falta
nas manhãs ensolaradas
quando desperta do sonho
em minha cama vazia
seu corpo não mais repousa
e nessa ausência doída
abraço seu travesseiro

e em lágrimas que não contenho
deságuo minha solidão
numa súplica inútil e vazia
enquanto a realidade me chama
ao despertar do relógio
que anuncia mais um dia

tendo apenas na solidão
minha única companhia



Ianê Mello
(20.02.15)


* Arte de Anka  Zhuravleva




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

IMPERMANÊNCIA





Em minha finitude
contemplo o eterno

abraço o instante
... ternamente

e guardo na memória
... jóia rara

toda a beleza do momento

se eterniza na entrega


Ianê Mello
(20.02.15)




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

ENTRE QUATRO PAREDES





a tevê ligada emite sons
que não escuto
imagens se passam ante meus olhos
mas não as vejo
perdida em minha solidão
nada me distrai nem contenta

as chaves em cima da cômoda
a bolsa no sofá como um convite
a casa vazia em sua ausência
tudo está onde sempre está
e eu aqui sentada... esperando
mas pelo que espero não sei

há sons lá fora
o sol brilha
a vida pulsa
e eu aqui
entre quatro paredes...

o relógio corre seus ponteiros
o tempo passa depressa
as marcas no rosto se fazem notar
a juventude já não me pertence
a vida não espera por ninguém
eu bem sei...

apenas uma porta a transpor
esse é o limite que tenho a vencer
mas sei que isso não é tudo
isso é apenas simbólico
afinal seria tão fácil
abrir a porta e sair

o monstro que me aprisiona
está oculto nas sombras
nos medos guardados
nos sentimentos perdidos
nos amores abandonados
nas dores e desilusões
criou raízes profundas
ganhou força e poder
é contra ele que luto
dia a dia

é a ele que preciso vencer

...

a verdadeira prisão
eu mesma a criei.


Ianê Mello
(18.02.15)