domingo, 25 de outubro de 2009

Menina-mulher




















Como no céu a clara lua
refletindo sua imagem na água
revela em sua alma que desnuda
singela beleza que flutua
na pureza de uma gota orvalhada


Mulher- menina- rosa
em seus encantos decantada
em verso e em prosa
musa inspiradora dos poetas
em belos poemas retratada



Ianê Mello



ouça: Nuvens são cambraias (Improviso)
poema: Li T’ai Po
tradução: Haroldo de Campos
música: Madan

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Prisioneiro do Passado



















Como uma miragem
na mirada do olhar que sonha
conhecida e doce paisagem
Abismo de ilusões
perdidas em longa viagem
Resquícios de um momento
que passou e não volta mais

Na busca do tempo perdido
há de se encontrar um sentido
para tanto desalento
e a vida como o vento
a escorrer por entre os dedos
das mãos que em vão tentam retê-la

Vida não se retêm, se vive
(e por vezes sobrevive)
ao relento e com alento
num coração despedaçado
nos sonhos acorrentado
contra uma realidade brutal

E não há que ser fatal
pois da vida só se leva
o que é  nosso por direito
Espernear não resolve
Quem se comove?
Não tem jeito... 

Na vida tudo se move
na exata e precisa direção
que no ser  sempre promove
crescimento e renovação
Abrindo novos horizontes
novas idéias e valores
construindo novas pontes
experienciando outros sabores

Não adianta resistir
É o caminho natural
Entregar-se é a única forma
sem debater-se em vão...


Pode parecer até banal
mas é próprio do humano
ao passado aprisionar-se
e com ato tão insano
fechar as portas ao novo

No velho busca conforto
e nos desvãos do passado
qual navio atracado
permanece ancorado 

em seu limitado porto





Ianê Mello






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sábado, 24 de outubro de 2009

Alma Lavada










expurga
todo o mal
lava
dos olhos
o sal
no céu
do seu sorriso
branco
como
a neve







Ianê Mello




"Expurgar é um estado mental em que você libera seu inconsciente através de alguma atividade."

http://expurgacao.wordpress.com


Ouça "Milágrimas" na voz de Zelia Duncan (poema de Alice Ruiz)




Nas Entrelinhas





Deixe-me só com meu silêncio
No escuro da noite me encontro
Nas palavras não ditas
Nas reticências e entrelinhas
No pensamento inacabado
No vazio de sentido
No passo descompassado
Na vida que é só minha

No escuro da solidão
Abro os olhos para a dor
Enxergo a mim mesma então
Na minha  forma inacabada
Na minha  certa imprecisão
No meu tudo, no meu nada
Em meu sofrido coração
Que de bater já cansado
Num pulsar acelerado
Abre espaço para o amor

E se por mim tens apreço
Faça o que te peço agora
Porque de certo mereço
Se a porta encontrar fechada
Bate e espera com paciência
Pois em minha eloquência
Desvendo meu coração
Mas há momentos que calo
Perdida na contramão
E preciso a tempo e hora
Encontrar minha razão



Ianê Mello



Restos de Amor




Não, não quero mais
tuas palavras de arrependimento
Tuas lamúrias, teus lamentos
Podia ser tão simples me querer
Pura e simplesmente por querer
Sem mais perguntas, sem respostas
sem agora, sem depois...

A toda hora


Complicaste o que era pra ser belo
Despedaçaste o amor que era teu
Agora...
...fiques quieto, não chores
Não brinques com meu sentimento
Não dá mais


Te levantes e vás embora
sem sequer olhar pra trás
E leves contigo agora
os restos desse amor

que ainda é teu



Ianê Mello





Eu te Amo (letra de Chico Buarque, música de Tom Jobim)

Ouça na voz de Ana Carolina:
 
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