sábado, 14 de novembro de 2009

O velho (a)Mar




No navio o porto vislumbrar
onde atracar suas mágoas
velejando sobre as águas
na pureza cristalina
de um nem sempre bravio mar
mas calmaria que encanta
e permite sereno descanso
após grandes tempestades
Porto seguro e firme
parada obrigatória
para as forças recobrar
e novamente se  lançar
em águas não tão serenas
Deixar-se seduzir
pelo canto das sereias
e pelo profundo azul
Recolher a âncora
e atirar-se ao mar
e deixar-se ficar
à deriva...
com o coração quieto
e a alma tranquila




Ianê Mello


Sem Pudor







Sopro
Vento
Brisa suave
Tocam o rosto
Carícia leve
Poros, pelos, pele



     
                                         

                                     arrepio    
                                     desejos
                                     sedes
                                     vontades
                                          

   
                                                     

                                                   Ser
                                                   mulher
                                                   exige
                                                   coragem

                                            
                        
Ianê Mello





Ouça:Avassaladora(Gonzaguinha)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ato de Coragem

























De repente, tudo se fez escuridão
O desespero tomou conta de alguns
O que fazer?
Sem luz, sem computador, sem TV,
sem um livro para ler
Nos vimos obrigados, então,
a enxergar no escuro
Enxergar não fora
mas dentro de nós mesmos
em nossa incompletude,
em nossa solidão
Olhar dentro de nós e buscar
nossa luz interior que transcende
Enxergar nosso próprio brilho
e quem sabe poder encontrar
a paz nesse descanso etéreo
Nossos joelhos dobrar
em  profunda reverência
ao humano em nós
e, na escuridão, enfrentar
nossa própria sombra





Ianê Mello





Nua e Crua










se esmoreço
me calo
se me calo
falo
noutras línguas
linguagens diversas
inintelegíveis?
talvez
expressões do eu
não do ego




Ianê Mello



quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A Espera







Com cabelos de azeviche
e intenso brilho no olhar
- olhos verdes de mar,
ela esperava no portão
Tinha um ar angelical
e sorriso encantador
Pele alva como a neve
coberta por fina seda
realçando sua tez
Era meigo seu olhar
e prometia doces sonhos
a quem se atrevesse a fitá-los
E ali  ela esperava, 
noite após noite,
dia após dia,
pelo homem que viria
e a tomaria nos braços
revelando-lhe o amor 
As noites lhe eram frias
e demorados os dias
pelo cansaço da espera
Mas ela não desistia
Era movida a esperança
e nela se refugiava
Como a espera de uma criança
de sonhos se alimentava







Ianê Mello







 Ouça : Europa (Gato Barbieri)