terça-feira, 16 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A Partida
você se foi...
e com você a luz do dia
deixou seu rastro
seu lastro
caminho de luz
na casa
um cheiro de hortelã
ainda perfuma o ar
com sua presença doce
você se foi, assim...
como se fosse
um barqueiro em alto mar
jurando não me deixar
Ianê Mello
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Perdida numa noite escura
A noite entorna seus temores
no corpo que vagueia a esmo
Onde estou?
Para onde vou?
O medo da noite me consome
Olho a volta e é tudo escuridão
As ruas desertas, sem viva alma
Mas você me acompanha
Dentro de mim sinto brotar
uma semente que desperta
na noite deserta e sombria
Palavras que brotam e pulsam
ganhando vida própria dentro de mim
Quero escrevê-las no papel
Não possso, tenho que seguir
encontrar o caminho de casa
Estou perdida e só
mas você me acompanha...
Em cada passo, em cada esquina,
em cada estrela no céu a brilhar
Sinto medo e coragem
Ousadia em desvendar o novo
Penetrar nessa escuridão sem fim
Em desertos de mim...
Na ponte sobre a rua, ali sim
há pessoas que transitam e se cruzam
Os carros passam como pirilampos
iluminando a escura avenida
Olho patra baixo e os vejo em velocidade
Pessoas indo para suas casas e eu perdida
Onde está minha casa, meu ninho, meu refúgio?
Mas dentro de mim você me acompanha
Me segue e me guia em meus medos
mais secretos e incofessáveis
Mas não me mostra o caminho
é minha tarefa descobrí-lo
e não desisto pois sou brava
Caminhante da vida
sei que o caminho se faz ao andar
e prossigo minha busca com persistência
Aprendo e apreendo a cada passo
que a vida é isso, esse ir e vir,
esse pulsar, essa expansão e contração
Entre perdas e ganhos, a evolução,
esse encontro que se dá quando se perde
Ianê Mello
O DESPERTAR
IN
SÔ
NI
A
Amanhece...
Esplêndido
brilho
do sol
por entre
as nuvens
brancas
de algodão
Pássaros
entoam
belos
cantos
Posso
ouvi-los
e sentir
a brisa
fresca
de um
novo dia
Em mim
esperança
brota
como
semente
em
terra fértil
A
MA
NHE
CE
EM MIM...
Ianê Mello
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
O POEMA
Poema
quando surges
urges urgências
imediatas
és apressado e deslizas
em palavras
que escorrem
no papel
Inexatamente exato
és perfeito
imperfeito sendo
pois que de pouco
muito se torna
e do muito
faz-se um nada
Poema
és alma lavada
purificada em pranto
Poema és sujo
nas palavras coloridas
em sangue
nas quais te embriagas
e te deleitas
Poema
és rarefeito
quando ar te falta
e te perdes no vazio
Poema
és sombrio
quando turvado na dor
te banhas em lágrimas
Poema
simplesmente és
a turbulência do momento
em que aconteces
ou a calmaria
de que por ventura padeces
Poema
simplesmente és
tempo e memória
Ianê Mello
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