segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

MESA DE BAR




senta na mesa do bar e pede uma bebida que o faça esquecer as dores do mundo e as suas próprias dores que são muitas pois não crê num ano novo melhor do que o velho que já se passou  assim como há muito tempo que não acredita mais em papai noel  afinal a infância já se foi há muito e nela os sonhos e ilusões se perderam deixando no lugar esse  imenso buraco que nada é capaz de preencher  e encher a cara ainda é sua única saída então nada melhor do que já começar o ano amortecido pelo álcool que adentra em seu corpo já depauperado  e em sua mente corroída por esse (mal)dito vício que o acompanha há tantos anos que já se esqueceu de como é viver sem ele e mesmo que quisesse não poderia mais por não ter forças para abandoná-lo por ser fraco demais e as noites longas e solitárias demais desde que perdeu seu bem mais precioso numa noite de ano novo igual a essa e deixou de acreditar que a vida possa ser mais do que essa busca insana para ser feliz


Ianê Mello

(05.01.13)

*
Pintura de Viktor Oliva

domingo, 6 de janeiro de 2013

O QUE MUDA AFINAL?



Ano velho que se vai
no romper dos fogos de artifício
... artificiais
abraços trocados
 sorrisos estampados nos rostos
o espocar da rolha de champagne
... (na verdade, cidra)
taças cheias erguidas num brinde
“ adeus ano velho, feliz ano novo”

-tin-tin...

a ceia na mesa posta
um convite ao regozijo
um prazer para os olhos
e para as bocas ávidas
fartam-se todos nesse banquete
nada se pensa nessa hora
tudo é festa e celebração

...

lá fora no escuro da rua
deitada sobre jornais
uma criança chora
mas quem a escutará?


Ianê Mello

(05.01.13)








sábado, 5 de janeiro de 2013

JOGO DE DADOS






Os dados rolam na mesa
como saber se a sorte me sorrirá?

A vida é um jogo
a mim só resta jogar



Ianê Mello


(04.01.13)







*
Arte de MARCELO DALLA

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

TEMPO ADORMECIDO




Guarda teu sorriso no tempo da espera
fruto adocicado em plena estação
Guarda tua palavra na placidez do tempo
amanhecida flor que se abre em botão

Guarda teu amor no peito adormecido
aquecido no fogo fátuo da ilusão
Guarda teu abraço na ternura antiga
agasalhado na esperança que não finda

Guarda-te por fim inteira e intacta
que o tempo não espera e não perdoa
nas horas mornas em que passas debruçada a janela
enquanto  a vida lá fora lhe convida a dançar


Ianê Mello

(04.01.13)

*
Pintura de Mary Jane Ansell


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

SOLTAS NO AR






 Não, não quero mais ouvir
cansei das palavras
palavras vãs...
saem da boca num bocejo
apenas soltam-se no ar
e nele dançam bailarinas

tapo os ouvidos e esqueço
meus olhos fitos
em seu bailado febril
borboletas coloridas
voejam e voejam
incansáveis

...

mas não pousam




Ianê Mello

(03.01.13)


*
Pintura de Mary Jane Ansell