domingo, 5 de janeiro de 2014

QUESTÃO DE TATO



Falta tato no toque
Delicadeza nas mãos
Que acariciam
Sensibilidade nas pontas
Dos dedos
Ritmo e leveza
Para um eriçar de pele
Um oriçar de pelos
Um estremecer de prazeres

Falta tato no toque
Paciência no reconhecimento
No corpo entregue
No momento presente
Sem pressa e sem demora
Na medida certa
No tempo preciso
Leveza e graça
Descortinando véus

É preciso tato no toque
Para desvendar segredos
Dissipar os medos
Afastar os temores
No corpo que pulsa
A espera branda
O anseio mudo
De estar no outro
Na arte do encontro

Ianê Mello
(04.01.14)


*

Fotografia: Cena do filme Ghost

sábado, 4 de janeiro de 2014

NATUREZA EXPOSTA





Corpo corre contra o tempo
Ávido voraz volátil
Dobras rugas marcas
Vestígios profundos tensos
Articuladas formas
Rígidos membros
Endurecidos tesos
Brutalmente embrutecidos
Sinalizam sinais sinas
Percorridos percalços
Insalubres dias
Natureza naturalmente exposta



Ianê Mello
02.01.14

*
 Pintura de Umberto Boccioni, 





quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

VERDADEIRA ESSÊNCIA




e eu que me julgava pronta
medos espantados
temores abrandados
rancores desfeitos

certezas alcançadas
e eu que me julgava firme
emoções sedimentadas
desejos satisfeitos
amores calculados
caminhos definidos

e eu que me julgava sábia
palavras proferidas
fantasmas esquecidos
dúvidas resolvidas
vida programada

e eu que me julgava tanto
me vi despida de vaidades
quando noutro olhar pude ver
a mais pura essência
do que sou refletida

Ianê Mello

(18.12.13)

*
Foto de Anna Clea

domingo, 15 de dezembro de 2013

VERMELHO





Vermelho sangue derramado
vermelho batom em minha boca
vermelho coração apaixonado
vermelho olhar daquela  louca

vermelho céu ao pôr do sol
vermelho cor do peixe espada
vermelho brilho do farol
vermelho retirante na estrada

vermelho corte na partida
vermelho amor que se avizinha
vermelho medo sem saída
vermelho paixão que é toda minha

Ianê Mello
(12.12.13)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O PULSAR DA VIDA



A solidão que assola e permeia as horas
Em minutos no tic-tac do relógio de parede
Vida de soslaio a espreita de um coração
De uma emoção qualquer que pulse
Acelerando os batimentos cardíacos
O sangue quente a correr nas veias
A vida urge, arde, clama, chama
Exigente ela requer presença e garra
Não pela metade mas por inteiro
Resta a entrega tácita e definitiva
Antes que a chama se apague
Antes que tudo se acabe
Antes que a vida dobre a esquina.


Ianê Mello

(11.11.13)

*

Pintura de Salvador Dali