terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O TUDO E O NADA



O tempo que escoa
como areia na ampulheta
e nele a nossa vida
desfeita em sonhos,
em nossa liberdade despedaçada
na prisão do tempo encarcerada.

E os sonhos tão sonhados
pintamos em aquarelas
em nossa mente que divaga
e em palavras nos perdemos
porque queremos ser Tudo
e naufragamos no Nada.

No vazio da ilusão
buscamos algum alento
e o que nos resta senão
mais um desapontamento.

No Tudo que nós buscamos
não vemos o essencial.
A resposta está tão perto
e nós percorremos mundos
só encontrando desertos.
Enquanto procuramos fora
esquecemos de olhar para dentro.


Ianê Mello

*
Revirando o baú em busca de poemas antigos...
Esse é de agosto de 2011.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

CORPO QUE JAZ




pela madrugada afora
nas horas de insônia
corpo cansado
ao descanso não se rende
olhos embassados
pela leitura
mente inquieta

...

há dias me sinto assim
angústias dentro de mim
indagações sem respostas
perguntas vãs e suspensas
e eu, equilíbrio frágil
acrobata delirante
na corda bamba

...

o circo já montado
a platéia a espera
o show acontece
como tem de ser
o dia amanhece
no rosto pintado
um largo sorriso

...

em cordas suspensa
piruetas improviso
ensaio perigos
quedas imaginárias
a lona esticada
amortece o tombo
prolonga a queda

...

nem osssos quebrados
nem fraturas expostas
nem sangue
nem nada
mas algo se quebra
inútil disfarce
a morte é súbita

...

não há mais circo
não há mais platéia
show já não há
apenas um corpo
que jaz ainda em vida
sequelas da dor
que não ousa cessar


Ianê Mello

(05.02.14)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

DESPERTAR



(..)

Um intervalo no tempo
a paz por um momento
no desabrochar do sorriso
no amanhecer do olhar

Viver é para quem sabe amar!

(...)

Ianê Mello.



sábado, 1 de fevereiro de 2014

OCULTA EM MIM MESMA



Estar ...
ser ...
analogicamente
me persigo

em ruas
em frestas
em muros
em nesgas
em rasgos

num buscar
incessante
inoperante
dilacerante
deliro

em dias
em noites
em madrugadas
insones

me caço
me vejo
me sinto
me ajo

onde estou?
o que sou?

me preciso
me limito
me recuo
me possuo

em partes
em fragmentos
em subterfúgios

ao amanhecer
me encontro
em mim
perdida
exposta


Ianê Mello


(31.01.14)


*

Imagem de Tomas Rücker