sábado, 24 de outubro de 2009

Noites Vazias





Em vestes de fina seda
pura malícia
abriga no corpo
doce delícia
Entregue a prazeres
nas noites, nos bares
à procura de olhares
sem nenhum pudor
Mulher de outros tantos
de fácil conquista
Na verdade de um único
que dela nem faz vista
E assim ela segue
nas noites de frio
em busca de outros
que em parte preencham
esse espaço vazio
por ele deixado
Buscando noutros olhos
os olhos do amado


Ianê Mello



John Coltrane - Central Park West

Introspecção





 





O abismo
do mundo
leva ao fundo 
o ser

A coragem
renova
a força
de viver

A distância
entre o abismo
e o céu

é dentro


Ianê Mello





http://literapurablog.blogspot.com


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Livre Pensar








sai pensamento


vagueia


entre palavras e silêncios


espreita


aguarda o momento exato


expressa-te






Ianê Mello

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Em Busca do Tempo Perdido


   

A luz radiosa adentra pela porta entreaberta
onde a menina com seus curiosos olhos espreita
"De onde virá brilho tão intenso?"
Ela  deve aguir espantada e vivaz
Escuta, então, um som que no ar se espalha
e com a luz se funde num lindo arco-íris
de notas musicais de belas cores
compondo um som angelical e lírico
As cordas do violino penetram  em sua alma
como se a tocasse de leve
num vibrato apaixonado
E seu coração dança ao som de harmoniosa melodia
que encanta seus ouvidos delicados
Em seus olhos brota uma lágrima de emoção
e a sombra de uma lembrança aflora em sua memória
Sua mãe, no quarto ao lado nada pressente
enquanto seus suaves olhos pousam noutro ser
que lhe toma toda a atenção e afeto
E a menina ali parada permanece
como se o tempo não importasse nada
Hipnotizada pela luz e som que lhe despertam
vagas e intensas emoções de um passado remoto


Ianê Mello



 * Em memória de Proust.


Broken Heart








Com a alma exposta
rasgada a ferida
o coração grita por socorro
mas quem poderá ouví-lo
Ele chora manso
sente intenso
bate forte
joga com a morte
dos sentimentos expostos
à fogo e água
frio e fome
Inceideia e retorce
nervos
vísceras
tingindo de vermelho
o corpo que clama
pede arrego
chama
mas quem poderá socorrê-lo
se ele sente quieto
em seu canto mudo
debatendo-se
em seu próprio eixo
sozinho...



Ianê Mello