segunda-feira, 14 de março de 2011

Pó de Poesia



Poeira
Poesia
Palavras na poeira
Poesia em palavras
Palavras em pó

P
O
E
S
I
A

Palavras no vento
Palavras ao relento
Palavras... palavras...


Ianê Mello

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

LADRÃO DE ALMAS






Ladrão de almas
na escuridão se esconde
no abismo da negação
em noites insones
em desejos abandonados
por entre as folhagens
em florestas desconhecidas
em solidões presentes
ao final de tudo


Ladrão de almas
sempre à espreita
por uma nova alma
que substitua a sua
pois dela se desfez
por pura insensatez
por pensar que sem ela
seria mais feliz



Hoje rasteja
corpo sem alma
oco, vazio
desejoso de encontrar
uma alma perdida
para dela se apoderar
pois pior do que ter uma alma
é ser um corpo a vagar


Ianê Mello

domingo, 23 de janeiro de 2011

MISTÉRIOS DO OLHAR





O olhar pode ser duro
como o aço
Pode ser claro
calmo e sereno
Pode ser
puro veneno
a castigar
Pode ser atento
ou indiferente
Pode tudo ver
ou nada enxergar
Quanto de amor
cabe num olhar
nos olhos do amado
a se derramar
Olhar que vê longe
Olhar que se esconde
Olhar que se entrega
Olhar fugidio
Olhar de tristeza
Olhar de alegria
Olhar perdido
Olhar que vagueia
Olhar objetivo
Olhar certeiro
Ah, o olhar...
quantos segredos
esconde
um simples
e singelo olhar.





Ianê Mello

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A MATURIDADE

Pintura de Francine Van Hove



Essa imagem que meus olhos fitam refletida no espelho,serei eu?
Pareço diferente aos meus próprios olhos. Algo mudou mas não identifico exatamente o que.
É certo que o tempo passou. Lá se foram alguns anos de minha vida. A pele já não tem o mesmo viço e frescor. Os olhos, ligeiramente inchados nas pápebras, já não possuem o brilho de outrora. Há linhas de expressão, ainda que leves, a se formar em meu rosto. Já posso vê-las. Meu corpo, ah, meu corpo... já não possui as curvas tão definidas e o desenho dos músculos já se perdeu. Mas também, o que eu poderia esperar, já não sou mais uma jovenzinha.
Sim, a vida passa e deixa suas marcas, umas visíveis, outras não. As que vejo no espelho e me impressionam (preferia não tê-las) são, de certa forma, as de menos importância. Em meu coração abrigo cicatrizes, que por vezes ainda sangram como feridas abertas. Dores de amores mal vividos, de significativas perdas, de sonhos naufragados, de desejos inconfessos. Essas, sim, são as marcas, que embora não expostas, incomodam mais. Mas é claro que também, a vida já vivida me transmitiu um legado positivo. Até mesmo o sofrimento e, principalmente ele, nos faz evoluir. Posso dizer, então, que meu maior ganho nesses anos tem sido a cada dia, me descobrir, me conhecer, me aceitar e sentir amor, verdadeiramente, por esse ser que enfrenta o próprio medo e se faz a cada passo mais inteira.




Ianê Mello

domingo, 16 de janeiro de 2011

HORA DA PARTIDA


Pode ser que na hora H eu desista
mas meus olhos me esconderão a verdade
O rosto coberto por fino tecido
como fina a tecitura de uma vida
Se meus olhos vislumbrassem o que estou a cometer
minha coragem se faria fraca
e meu arrependimento eterno
A água que envolve meu corpo,
fria como a morte que busco,
ao mesmo tempo acalenta essa dor
a dor de não poder mais Ser
O tempo me chegou...
essa é a hora
Preciso ir-me, sem mais demora
Da vida já sorvi o último gole
e o gosto era amargo como fel
Não lamentem minha partida
Foi bem pensada e sentida
O que da vida obtive foi o que pude
No mais, nada me ilude.




Ianê Mello