domingo, 13 de novembro de 2011

Moinho Vermelho





O Moinho Vermelho gira
mulheres dançam can-can
no cabaré a meia luz
brilhos e paetês
homens endinheirados
boêmios confessos
artistas empobrecidos
poetas embriagados
olhos de cobiça
no palco iluminado
a noite é festa
na cidade parisiense
no terraço enluarado
casais trocam carícias
preliminares do amor
Moulin Rouge
onde Paris se espelha
em desejos e delícias






Ianê Mello 




* Créditos de imagem : Pintura de Toulouse Lautrec

sábado, 12 de novembro de 2011

Música que liberta



Feche os olhos e sinta
O toque penetrante
dessas cordas vibrantes
na pungência da emoção
Deixe penetrar em seu coração
e a alma flutuar leve
Libere seu sentir
Não contenha os sentimentos
Simplesmente sinta
...deixe-se fluir
e será como um rio caudaloso
escorrendo e lavando a dor
Sinta o sangue a correr em suas veias
Sim...você está vivo!
Deixe-se tomar por inteiro
A música invadindo seu corpo
e penetranto em sua alma
Apenas sinta...
Solte seu corpo
Se liberte das amarras 

... Se solte...
 
e numa explosão de amor


.....   dance
........       dance
...............         dance .........


a dança do amor sem fronteiras


Ianê Mello


*Inspirado em Trio Joubran - The music is from album "Sou' Fahm"- Samir Joubran


Ouça: 

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Vinho de Verão





caminho na cidade
numa terra estranha, inóspita
os pés calejados
vestidos em botas de couro
armado de esporas de prata
que soavam no silêncio
das ruas nuas
das casas fechadas:
cidade fantasma


ela  me avistou ao longe
ouviu o som de minhas esporas
caminhou serena em minha direção
cabelos ao vento
pés descalços, alma nua...
...desarmada...
era a visão de um anjo
em meio a aridez desértica


ofereceu-me vinho,
morangos, cerejas e
um doce beijo,
de um anjo,
em meus lábios deitou...
sorvi o frescor do vinho
...vinho de verão.




Ianê Mello




*Inspirado em Summer Wine - The Corrs e Bono Vox

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Adormecer em Mim






Não, não quero mais palavras rotas
despidas de significado
quero o silêncio
que embala as madrugadas
solitárias ...
quero a ausência de som
preciso me ouvir
meus batimentos
meu pulsar
meu ritmo
quero a solidão das horas
do tempo presente
quero tempo
pra ter tempo
de pensar no futuro
quero o escuro
apague...
apague essas luzes que me cegam
para que eu possa melhor me ver
a claridade não me permite
olhar pra dentro
são muitas as distrações
os convites aos olhares curiosos
preciso de mim mesma
de meus próprios olhos
fechados em mim
voltados pra dentro de mim
preciso de mim
para encontrar
minha paz
meu remanso
minha sintonia
e depois, quem sabe,
adormecer...


Ianê Mello






Créditos de imagem: Foto de Monalli

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Moçambique chama...






" A vida é demasiado preciosa

para ser esbanjada num mundo desencantado."




Mia Couto, in Jerusalém




Moçambique clama por suas palavras
por sua presença amorosa
pela visão de seus olhos profundos:
olhos da infância querida.



Clama por aqueles dias
dias de intenso viver
em que o tempo era infinito
e a esperança sorria em seus lábios




Você que teve no medo seu primeiro mestre
temendo monstros, fantasmas e demônios
só conhecendo os anjos tempos depois
quando vieram para guardar sua alma



Você que crê no amadurecimento da dor
em seu intenso sentir, corpo e alma,
para que se dilua no correr do tempo infinito,
no choro que escorre dos olhos em lágrimas sentidas



Você que com o próprio sangue escreveria
e até mesmo em seu próprio corpo,
caso tinta e papel não houvessem,
mas não calaria a sua voz jamais



Você, que cantou a África, em versos,
como tradutor fiel de suas dores,
dando voz ao seu silêncio negro,
transmutando morte em vida. 







Ianê Mello, em Homenagem a Mia Couto.