Um dia ele chegou com o olhar mudado. Desses que provocam calafrios e nos levam a pensar "O que terá acontecido?"
Me aproximei de mansinho; como um gato. Acerquei-me de seu corpo e o abracei.
Seus braços mal conseguiam enlaçar minha fina cintura. Parecia que correspondia por pura obrigação, porque seria estranho não fazê-lo. E eu fiquei assim atônita, sem saber o que pensar.
Aqueles mesmos braços que sempre me abraçaram com tanta ternura e, em certos momentos, com tanta paixão. Desvencilhei-me com facilidade de seus braços frouxos e sem vontade. Meus olhos já estavam rasos d'água e não queria que ele me visse chorar.
Queria respeitar-lhe o tempo em que se sentisse capaz de expor seus reais sentimentos, ou, quem sabe, a falta deles.
Queria respeitar-lhe o tempo em que se sentisse capaz de expor seus reais sentimentos, ou, quem sabe, a falta deles.
Como dois corpos podem estar presentes no mesmo espaço e tornarem-se tão distantes suas almas? Como podemos nos tornar dois estranhos quando um dia fomos tão íntimos?
Como o amor que um dia nos une deixa de existir, deixando em seu lugar um espaço vazio que torna-se difícil de preencher?
Fui até a varanda e deixei a brisa do vento secar minhas lágrimas. Respirei fundo e pensei comigo mesma"É o fim". Fim de mais um romance de amor. Mais uma ilusão que se dissipou na poeira do tempo. Agora, vai ficar apenas a saudade de um tempo que passou e as recordações de momentos felizes que vivemos.
O vazio entre nós se fez presente e me senti como um barco à deriva, sem porto.
O vazio entre nós se fez presente e me senti como um barco à deriva, sem porto.
E meu coração apertado, sangrou.
Ianê Mello