Narciso usa o espelho como uma extensão de si mesmo, e, como Narciso, os homens se tornam fascinados por qualquer extensão de si mesmos, mergulhando num estado de entorpecimento.
Olho no outro e me vejo
e pela imagem refletida
no espelho de seus olhos
por mim mesma me apaixono
O amor que penso nutrir
pelo outro ser que fito
na verdade é amor-próprio
como o mito de Narciso
Quando no outro me vejo
numa extensão de mim
penso ser amor num lampejo
mas o que fica no fim
é a realidade triste
de apaixonar-me por mim
e o outro... sequer existe
Ianê Mello
Ouça: Joaquin Turina "Narciso Yepes"
