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quarta-feira, 17 de abril de 2013

O JOIO DO TRIGO




Há que separar o joio do trigo
O fruto bom do apodrecido
O supérfluo do necessário
O homem honesto do salafrário

Há que separar o direito do avesso
O ciúme do apreço
A paixão do amor
A honestidade do falso pudor

Há que separar o verdadeiro do falso
O bem calçado do descalço
O real desejo da luxúria
O lado animal da criatura

Há que separar o falso brilhante da jóia verdadeira
A sobriedade da bebedeira
O erro do ledo engano
O supostamente sagrado do profano

Há que separar a liberdade da prisão
A mão direita da contramão
O verdadeiro amor da obsessão
O verdadeiro sim e o disfarce do não


Ianê Mello

(16.04.13)

 *
Pintura de Millet





segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

NO TEMPO CERTO



 Lavrar o amor,
revolver a terra
... terra-mãe

Lavrar o amor...
enxada na mão,
ancinho e pá
Mãos em concha,
sementes despejar
em solo fértil

Regar de afeto
e sem pressa,
com o tempo certo,
ver dela brotar
pequenos frutos

Assim, a cada dia,
dia a dia, sem cessar
cuidar da plantação

O calor do sol,
a abençoada chuva,
dádivas naturais,
farão dela brotar
frutos de esperança
que a mão humana
dedicou-se a plantar


...


e, agora, no tempo certo,
os frutos poderá saborear.


Ianê Mello



*

Crédito de Imagem: Pintura de Millet