(Para Raul Seixas)
Não, não tenho a palavra certa
para dizer na hora exata
Não tenho, nem quero ter
Não sou dona da verdade
e muito menos quero ser
Não sou dona de ninguém
nem quero esse poder
Nem de mim mesma eu sou,
me lapido no viver
A vida que vivo
nem sempre é a que quero ter
Vivo do jeito que posso
conciliando o poder ao querer
Tenho tudo que preciso
e nada tenho ao mesmo tempo
pois meu querer é oscilante
ele muda com o vento
Talvez eu seja inconstante...
E daí, o que importa?
Quando quero fecho a porta
e me tranco por dentro
Então, procure entender
e respeite meu momento
Pois prefiro assim ser
Mutável, mutante
ao invés de um ser amorfo,
previsível e estagnante
Sou um ser polimorfo
tal qual um camaleão
Mas não pense que isso faço
pra chamar sua atenção
É a minha natureza, não disfarço
"Prefiro ser essa metamorfose ambulante"
Assim meio Raul Seixas... impactante
Quem sabe um "maluco beleza"
Mas nunca uma farsante
Tenho até alguma certeza
Mas dúvidas, tenho de montão
E assim levo minha vida
Fluindo na correnteza
e outras vezes na contramão
Se gostar de mim assim
pode me acompanhar
Também, se não tiver "a fim"
não vou me incomodar
Entendo que cada um
tem o direito de optar
pelo caminho a seguir
Se o nosso se cruzar
só me restará... sorrir
Ianê Mello
Ouça: Raul Seixas "Metamorfose Ambulante"
