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sábado, 19 de dezembro de 2009

A Mão que apedreja





Filhos, os temos
Mulheres que somos
Gerados por nós
Paridos por nós
De suor e sangue
e lágrimas de dor
A dor do parto
Lancinante e aguda
Mais profunda que
outra dor humana qualquer
Parece que estão a arrancar
de dentro de nosso corpo
algo que nos pertence
o que não deixa de ser
pois em nós se desenvolveu,
em nosso útero se formou
até estar pronto para vir ao mundo
Aí então, não mais nos pertence
Nosso controle sobre ele
passa a ser relativo


E que filho é esse
que botamos nesse mundo?
Isso não se sabe
Não há como prever
Mas o certo é que
a mão que é  afagada
é a mesma que apedreja
E esse filho que hoje afagamos,
que aninhamos em nossos braços,
pode um dia nos atirar pedras
Não pétalas de flores
como forma de gratidão
Mas duras e pesadas pedras
que suportam em suas mãos
movidas pela incompreensão,
pela revolta, pelas falhas que cometemos
Pelos nossos limites que não sabem aceitar
Como dói em nós recebê-las,
pois se erramos foi tentando acertar
A dor ainda maior se dá
quando temos que revidá-las...




Por amar...


Por amor...




Ianê Mello