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terça-feira, 30 de julho de 2013

PRENÚNCIO




Penumbra...
sombras arqueadas
vertigens do dia
silêncio...
vozes inaudíveis
sentires, tremores
vida que se esvai
gotas de melancolia
derramadas
sonhos dispersos
olhar que prescruta
escuridões submersas
sons habitados
no vazio
noite que avança
pela madrugada
em tons púrpuras
sentir é preciso
rasgar a carne
sangrar a ferida
rosa de espinhos
cravejada
macias pétalas
rubras
inevitável ferida
será assim a vida
esse prenúncio da morte?



Ianê Mello

(30.07.13)

*

 Fotografia de Amber Ortolano .

*
Poema inspirado em Jean Michel Jarre - Rendez-Vous 1986 (Full Album)


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

APÁTRIDA





vilipendiada
largada na vida
ovelha desgarrada

um corte
um suporte
um quase nada

jogada na lama
usada na cama
cigana na vida

vagueando pelo mundo
errante na estrada
nômade de mim

sem paradeiro
sem porto
apátrida

em meu corpo estrangeira
retirante no tempo
emigrante fugidia

do amor não nascida
parida por descuido
pela mãe enjeitada

na morte encontro alívio
pressinto sua chegada
sem resistência me entrego

há muito por ela ansiava
vez que dessa parca vida
não esperava mais nada





Ianê Mello



(15.01.13)



*

Fotografia de Amber Ortolano

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

CONTRA A SOLIDÃO NÃO HÁ REMÉDIO



numa estante cheia de livros
(que nunca li)
vidas que não são minhas
esperam ser desvendadas

mas o olhar pousa cansado
nem delas consigo me apoderar
cansa viver só de ilusões

no peito uma dor doída ainda resta
esse sentir esvaziado de sonhos

esse dia após dia sem surpresas
esse desejo de algo
mas de quê?

essa vontade de fugir
mas para onde?

numa casa cheia de pertences
roupas se amontoam no armário
pedem para respirar outros ares

mas a vontade de vesti-las inexiste
mesmo quando ficar é insuportável

mesmo quando o ar já me falta
entre quatro paredes eu me fecho


Ianê Mello


(25.12.12)

*


Fotografia de Amber Ortolano



domingo, 9 de dezembro de 2012

CONFISSÕES




No rosto o peso dos dias
desejos desenfreados
paixões resguardadas
silêncios adormecidos

No rosto o reflexo da espera
o tempo em finas linhas
devastadas ilusões
inconfessáveis temores

No rosto as horas contritas
amanheceres insones
solidões acompanhadas
em sórdidas esperanças

No rosto o reflexo mudo
vida em desapego tácito
da eternidade vivida
no apelo sem resposta


Ianê Mello

(01.12.12)

*
Fotografia de Amber Ortolano