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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Da Distância que separa




E a distância entre eles se fez. Como se constroem muros de concreto. E se preencheu de vazio.
A ternura, antiga companheira, cedeu lugar a rotina que entre eles se interpunha, como um visgo que não sai mais. E os dias e noites tornaram-se iguais: dias sem sol, noites sem lua.
Nuvens espessas vagavam sobre suas cabeças cheias de pensamentos vãos. De suas mãos nuas já não brotavam flores; terra árida, jardim sem flor. E na solidão das noites nuas, instalou-se a dor do pranto: calado e contido.
Se ao menos as lágrimas pudessem rolar sobre suas faces lívidas e aliviar-lhes o sofrimento... mas não.
Corações amortecidos, acostumados ao sofrer, apenas registravam mais uma desilusão. Sentimentos embotados, corpos anestesiados pela ausência de carinho. E a cada gesto não expresso, a cada palavra não dita, a cada toque não dado, fazia aumentar a  distância que entre eles já havia.
Sem se darem conta se perderam na estrada que um dia trilharam juntos e suas mãos se apartaram e seus olhares vislumbraram diferentes trilhas.
Na distância que os separa, o amor se fez cativo. Estranhos se tornaram e não mais puderam se reconhecer, perdidos nos descaminhos.


Ianê Mello


Ouça: A medida da paixão( Pedro Camargo Mariano)