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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

No Vazio da Noite

 



Si cada día cae
dentro de cada noche,
hay un pozo
donde la claridad está encerrada.
Hay que sentarse a la orilla
del pozo de la sombra
y pescar luz caída
con paciencia.

 
Pablo Neruda, El mar y las campanas 
(Obras completas, III, p. 931)







O dia cai sem espera e triste
como uma despedida sem adeus
A luminosidade se encerra tímida
escondendo-se atrás do anoitecer
que se anuncia num prenúncio de solidão


A noite chega e o dia cobre 
com seu manto de névoa
Breu e silêncio se instalam
Na casa vazia e sem rostos


O corpo inerte queda só
abraçado pela escuridão sombria
Olhos obscurecidos pelo medo
na ausência que devora e corrói


Espectro humano que assombra
na pungência de sua dor
Em sua aparência esquálida
onde o amor um dia habitou


A dor da perda se funde
no escuro do ambiente
Nesse ser quase humano
que da vida se apartou


Ianê Mello


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Em Preto e Branco


(Foto de Marina Danina)

As nuvens encobrem o céu

nessa paisagem árida e inóspita
A terra seca e estéril
é cenário sem qualquer beleza
Até onde a vista alcança
é palha e sombras
Sem vida, sem nada
E a mulher ali parada
fita o vazio que se alarga
com seu olhar impassível
Seu vestido negro recobre
seu magro corpo sem atrativos
Seus negros cabelos para trás
sequer emolduram seu lívido rosto
Nada parece lhe afetar
Estática e imóvel permanece
mais parecendo um espectro em vida
Mas como saber o que sua alma esconde?
Sua mente talvez divague
por outras paragens
Talvez relembre passagens
de uma vida para sempre perdida
Quem sabe...
Seu olhar inexpressivo e parado
Seu corpo enraizado na terra
confundindo-se com a negra chaminé
que por detrás se revela incólume
Mulher e paisagem se complementam
Em perfeita harmonia se fundem
e se perdem no vazio de emoções.

Ianê Mello