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sexta-feira, 2 de julho de 2010

A dor do parto






A cada momento
A cada passo  
A cada dor
A cada  espaço
No compasso da espera

Sinto a ausência
A saudade de momentos
Que sequer existiram
Estar só...
Ser só...
Opção para a sobrevivência
Da minha identidade
Da minha verdadeira essência

As máscaras tombaram ao chão
Meu rosto transparece
Por entre nuvens de algodão
Nem eu mesma o reconheço
As marcas da dor nele estampadas
Como uma pintura feita a mão
A vida a fez, dia a dia
Em rasgos de alegria
Em sorrisos desfeitos
Em lágrimas embaçando a visão
Na perda de sentido

Onde estou agora?
O que sou afinal?
Em que momento me perdi de mim?
A vida segue seu rumo
Eu aqui ... só, mais uma vez
Vagando em meus pensamentos
Desejando uma  companhia
Que de alguma forma preencha
Esse vazio imenso que restou
Essa ausência de mim
que dentro aqui ficou



Ianê Mello

domingo, 25 de abril de 2010

A Solidão do Poeta

          
                                                                          

Para Mario Quintana



Ser poeta é minha maneira de estar só
De trasformar meu silêncio
em poucas palavras

que desprentenciosamente
rabisco num papel em branco
Se se transforamarão em belos versos

Não sei....

Nem me importa

São vindas da alma.

Não quero refletores em meu pálido rosto,
não quero glórias
Quero a verdade revelada,
a alma exposta, a falta de pudor

Colorir sentimento obscuros
Gritar ao mundo minha voz
Acordar a humanidade adormecida
Em sexo, drogas... desilusões



Ianê Mello


domingo, 13 de dezembro de 2009

Vazio da Ausência





Sinto em mim
A dor do parto
Das entranhas do meu ser
Em várias me reparto
Sou uma e sou várias
Fria e nua
Na escura noite
Vazia e sem vozes
O silêncio
Lúgubre e atroz
Faz calar a minha voz
As dores da alma
Fazem-me sentir
Nas lágrimas que brotam
Da face escondida pelo tempo
Solidão como um lamento
No tempo que urge
Rugido do vento
A despertar desejos
Contidos nos recônditos
Do corpo que se fecha
Alma em ebulição
Torrente de amor e paixão
Busca incessante do equilíbrio
Abismo de ilusões
Que inquieta a paz
Que enternece os corações
E sua presença se desfaz
No vazio que me traz
Na ausência das horas
Que escoam de minhas mãos
Perdidas e vazias
Repletas de um nada
Quando deveria a tudo conter
Alento ao meu viver
E assim o tempo passa
Sem a sua presença
E no vazio da ausência
Me perco e me acho.


Ianê Mello



Em homenagem à essa doce amiga Lara, aqui publico os versos que fez para mim a partir da leitura deste poema:


Quando um pedaço te arrancam
é o momento em que evitas
encarar-te a ti mesmo, pois
será a hora em que verás
tua face mais sincera, serás
liberta do punho invasivo
que confrontaram contra
o teu estômago vazio.

http://averdadesobreanostalgia.blogspot.com/