"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência
e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca."
Clarice Lispector
Vídeo - poema "Nua e Crua"
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Obrigada.
domingo, 29 de novembro de 2009
Natureza Animal
Ouço esse som que pouco a pouco, a cada acorde, penetra pelos meus poros, tomando meu corpo e minha alma de súbito, sem que eu possa controlar.
Fecho os olhos e a viagem começa, longa e profunda, para dentro de mim mesma, ao vibrar desses acordes.
Me perco em meus labirintos e me entrego aos meus instintos.
Me perco em meus labirintos e me entrego aos meus instintos.
Meu lado humano, pouco a pouco, cede lugar ao animal que em mim habita, louco para se libertar.
Não, não preciso de nenhum alucinógeno, nem de nenhuma bebida alcoólica.
Não preciso de nada que embote ou entorpeça meus sentidos.
Pelo contrário, quero-os cada vez mais aguçados. Como aguçados os sentidos de um animal que fareja, sentindo cada odor, pressentindo cada perigo e segue em busca de seu território.
Pelo contrário, quero-os cada vez mais aguçados. Como aguçados os sentidos de um animal que fareja, sentindo cada odor, pressentindo cada perigo e segue em busca de seu território.
Minha viagem é pura, pois que puro é o instinto que nos move, nos protege, ao mesmo tempo que nos impele à aventura.
É o pulsar do sangue em minhas veias.
É o sentir intenso; pela minha própria natureza.
É o sentir intenso; pela minha própria natureza.
As notas entram, vibram, uma a uma, fervilhando o sangue em minhas veias. Se espalham por todo o meu corpo como partículas sonoras de cores vivas e penetrantes.
Agora eu sou a música; nela me transmuto.
Sou as cordas da guitarra que vibram.
Sou os dedos que as tocam com agilidade e destreza.
Sou ela.
Sou ânima e animus.
Masculino e feminino.
Mulher e animal.
Sou as cordas da guitarra que vibram.
Sou os dedos que as tocam com agilidade e destreza.
Sou ela.
Sou ânima e animus.
Masculino e feminino.
Mulher e animal.
Sou alma pura que transcende a identidade, a dualidade do ser, o humano e o animal, o racional e o instinto.
Sou meio mulher, meio loba, a correr livremente pelos vastos campos ao som dessas dissonantes notas musicais.
Notas que oscilam, que vibram e se elevam e se retraem como um coração a pulsar, em seu eterno movimento, em seu batimento que traduz a vida.
Notas que oscilam, que vibram e se elevam e se retraem como um coração a pulsar, em seu eterno movimento, em seu batimento que traduz a vida.
Ah! Que poder a música exerce sobre mim, quando ao sentí-la me liberto dos grilhões que me acorrentam, das grades que me contem: animal aprisionado.
Sou o puro sentir. Os sentidos cada vez mais aguçados, o sangue a fluir pelas veias...quente.
Por todo o meu corpo, posso sentí-lo correr acelerando meus batimentos cardíacos.
Abro meu peito sem medo e com todas as minhas forças deixo sair de mim um grito gutural, que provêm das entranhas do meu ser.
Um grito animal, selvagem, que se liberta... e ouve-se um uivo profundo que se espalha pelo ar... nessa noite em que do alto do escuro céu a lua brilha.
Um grito animal, selvagem, que se liberta... e ouve-se um uivo profundo que se espalha pelo ar... nessa noite em que do alto do escuro céu a lua brilha.
sábado, 28 de novembro de 2009
O Sentido Humano do Toque
Tocar...
na ponta
dos dedos
dos dedos
sentir a pele
Sua textura
saliências
reentrâncias
Maciez
aspereza
Mãos
que deslizam
Percorrem
recantos
côncavos
convexos
Encontros
Carícias
Contato...
Íntimo
Profundo
Em cada corpo
reside um mundo
Ianê Mello
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a importância do toque,
imagem de Toulouse Lautrec,
poemeto
Infrutífera Espera
Entregue a solidão
no vazio da busca
Corpo exposto em abandono
Largado nu pela indiferença
como se fora sem vida
Ferido em sua alma,
em seu amor-próprio,
pelo punhal da desilusão,
da eterna espera
por um bem que tarda a chegar
Seus olhos, espelhos da alma,
obscurecidos pelo desejo,
atroz e implacável,
no tempo que escorre
como sangue em suas veias
Na escada de pedra,
lívida e inerte jaz...
no sono eterno
da desesperança aflita
Ianê Mello
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
A Dança de Shiva
Movimentos leves
Dança das mãos
Bela e suave
Delicadeza que inspira
revela e desnuda
a alma que toca
Vida e morte
Tempo desconstruído
Criação e destruição
Um novo recomeço
Vida e morte
Tempo desconstruído
Criação e destruição
Um novo recomeço
Melodia dos sentidos
que inebria e nutre
Dança universal
O Eu e o outro numa fusão
Unos no Universo cósmico
Dança que liberta
Dança universal
O Eu e o outro numa fusão
Unos no Universo cósmico
Dança que liberta
Sentimentos que afloram
e de dentro do ser
contido, preso em si
se desprendem
e se soltam
como partículas no ar
e se soltam
como partículas no ar
Se libertam e voam
tal como uma libélula
a colorir o azul do céu
Vôo sem destino
pelo puro prazer de voar
Viagem que transcende
os limites da prisão
os limites do tempo
os limites terrenos
os limites do tempo
os limites terrenos
Voa livre...
Voa alto...
Não há limites para a criação
Ianê Mello
Assista:Video Clip of song from CD Shiva Lounge by Ratnabali of Azulmusic, Dance and Choreography by Andrea Prior
Curiosidade: É a imagem da "dança de Shiva" que melhor exprime a idéia de que todas as coisas são interligadas e de que o "eu" como uma entidade isolada não passa de uma ilusão. Shiva, na qualidade "Senhor da Dança", cria perpetuamente, com o seu dançar, os ritmos do universo - os ciclos de criação e destruição. Shiva é o mestre tecelão do espaço e do tempo.
Marcadores:
Dança de Shiva,
Vídeo-clip
Tempo de Inocência
Ela era assim...Tinha um brilho nos olhos e a pureza num sorriso infantil.
A credulidade de uma criança, que da vida só enxerga o belo.
Seus pés eram asas e ela flutuava sobre a vida com a inocência de quem crê.
Pura como uma flor em botão, que ainda não reconhece seus próprios espinhos.
E assim ela foi seguindo. Sempre sorrindo.
O coração feliz.
Nada parecia lhe faltar. De nada carecia.
Sua vida era suave como um rio manso que flui livremente pelas margens e que uma vez não represado, desconhece o furor que pode provocar a contenção dessas águas quando aberto o dique.
E assim ela foi crescendo, em inteira liberdade.
Sentiu-se grande e para ela não havia limites. O mundo estava a seu favor.
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Você sente que esse texto parou no meio, sem uma conclusão?
Talvez eu tenha querido lhe provocar essa reação. Talvez não.
Esse texto poderia ter um fim ?
Ele relata um sonho que eu tive adormecida ou um sonhar acordada (utópico desejo da criança que em mim habita)?
Cabe à você, leitor, interpretá-lo da forma que mais lhe agrade ou que lhe sopre a lógica, ou quem sabe que lhe faça sentir o coração.
Ianê Mello
Estou Viva!
Onde está a paz?
Alguém a viu andando por aí ou perdida em alguma esquina?
Olhamos pra fora, procuramos fora, quando, na verdade, é pra dentro que temos que olhar e procurar pela paz.
Isso não está em nenhum livro de auto-ajuda. Também não se encontra nas palavras que uma única pessoa profere, seja através da utilização de uma religião, filosofia, ou qualquer tipo de "lavagem cerebral".
Também não sei aonde ela está, portanto, não espere que eu te diga.
Bem que eu tenho procurado dentro de mim essa paz tão ansiada, tão desejada por mim e por todos.
Mas parece que há pessoas que agem de forma totalmente contraditória. Dizem querer paz e só provocam guerra.
Provocam...provocam... cutucam... ferem.... e o que esperam?
Não provocar nenhuma reação?...
Você é de aço?
Eu não...
Tenho nervos e sangue corre em minhas veias. E como corre sangue em minhas veias!...
Às vezes, esse sangue é tanto que chega a jorrar e luto para estancá-lo.
Meu coração é humano,com artérias, veias e tudo que dele faz parte e pulsa e bate forte. Às vezes tão descompassado que chega a doer.
Meu coração não é de pedra.
Cito aqui Maiakovski "Comigo a anatomia ficou louca: sou todo coração."
Esta citação exprime com perfeição o que quero dizer aqui e digo.
Sou toda coração, por mais que a razão me acompanhe e me equilibre.
Não dá pra ficar imune ao que acontece à nossa volta. Não dá pra fechar os olhos e não ver o que está a um palmo do nosso nariz.
Não dá pra fingir que não se sente dor. Não dá pra enganar a fome, nem a sede.
Não dá pra viver pela metade. Ou se vive, ou se morre.
Não dá pra ser morto-vivo, isso é coisa de personagem de filme de terror; é ficção.
A vida é real e pulsa a cada minuto, a cada batida do meu coração, do seu coração, do nosso coração.
Não se brinca com a vida que a morte é certa e um dia vem.
Não adianta chorar depois... mortos não choram, não sentem, não fazem mais nada.
Estão mortos.
E quanto a mim...
ESTOU VIVA!
Ianê Mello
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guerra/paz,
vida/morte
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Palavras que iluminam
Que poder exerces sobre as palavras
que mais parecem rios caudalosos
que desaguam na imensidão da alma
Palavras-flores a se abrir em pétalas
perfumando tudo ao redor
Palavras leves como o vento que acaricia
Palavras com a força de uma ventania
Palavras quentes, ardentes de emoção
Prenchem os espaços vazios
Enchem de significados a razão
Embebedam os sentidos num afago
Palavras que nutrem e revigoram
Palavras que se demoram
e em nós encontram abrigo
Palavras...
Palavras...
Palavras...
Palavras nuas...
Palavras suas.
que mais parecem rios caudalosos
que desaguam na imensidão da alma
Palavras-flores a se abrir em pétalas
perfumando tudo ao redor
Palavras leves como o vento que acaricia
Palavras com a força de uma ventania
Palavras quentes, ardentes de emoção
Prenchem os espaços vazios
Enchem de significados a razão
Embebedam os sentidos num afago
Palavras que nutrem e revigoram
Palavras que se demoram
e em nós encontram abrigo
Palavras...
Palavras...
Palavras...
Palavras nuas...
Palavras suas.
Ianê Mello
http://katyuscia-carvalho.blogspot.com
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Homenagem,
o poder da expressão,
palavras que preenchem espaços
domingo, 22 de novembro de 2009
O valor do amor
O que os outros pensam não importa
O que importa é o que o coração grita
O que importa é o que o coração grita
Quando fala forte o sentimento
o que se esconde atrás da porta
é uma pessoa aflita
Pelas palavras não ditas
Pelas ditas sem razão
Machucam e fazem feridas
que sangram o coração
Quantas ofensas em vão
Quantos xingamentos e brigas
Melhor seria se então
um fim puséssemos à essa lida
Deixemos tudo pra lá
Nada mais a de importar
Saia detrás da porta
e a feche quando entrar
ou a deixe entreaberta
se achar conveniente
mas de uma coisa estou certa
quando você está presente
é mais belo o despertar.
Ianê Mello
Ouça: Oswaldo Montenegro"Quando a gente ama"
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