domingo, 16 de setembro de 2012

ESTRANHA COISA




Era preciso tecer a teia
de ardis e malícias


Era preciso de mais que dois olhos
para antever os vieses da vida
para dissipar os véus da dúvida


Era preciso urdiduras e tramas
desfeitas em manhãs claras
descosturando o véu da ignorância


Era preciso engolir o espanto
a revelar segredos inconfessos


Era preciso coragem e fé
para sair do luto e da profundidade das coisas


Era preciso aventurar-se no desconhecido
descortinando novos e refrescantes sentires


Mas essa coisa morna que em mim habita
que me aprisiona numa gruta escura
Essa coisa que comigo mesma se confunde
Essa coisa que me invade e me tira o ar
...
Ah, essa coisa que me divide e me parte em duas!...


Ianê Mello

(15.09.12)

*
Fotografia de Pavel Mirchuk

5 comentários:

Tony poeta pensamentos disse...

Muito Lindo. Parabéns.

Ianê Mello disse...

Prazer recebê-lo em meus labirintos. Obrigada, Tony.

Dulce Morais disse...

Essa coisa talvez seja estranha, assim foi qualificada, mas a maneira como foi contada é pungente e emocionante! Lindos versos, Ianê!

Paula Izabela disse...

Garota, gostei muito do seu espaço e gostaria de trocar banner de divulgação. Visite o VIVER ME DESPENTEIA para conhecer e deixe um comentário lá se tiver interesse.
Abraços despenteados!

poesia escrita de uma realidade sentida disse...

muito lindo o poema. sentido. a forma como levaste, como atinges cada ser com este poema, é mesmo intensa. e bom saber que além desse lindo rosto, há também um lindo ser por dentro. bom encontrar pessoas que invocam a poesia.