sábado, 15 de setembro de 2012

SERES RASTEJANTES





Os gritos...
os gritos ecoam
em meus ouvidos
derramam –se
em meus sentidos
fendas de carne
em rios de sangue
apátrida
sem rumo sigo
entre precipícios
umbrais
na escuridão eterna
no poço úmido
e viscoso
cobra rasteira
me arrasto
na lama
meu corpo
frio
nada sente
apenas se arrasta
em movimentos
sinuosos
sibilantes
silvos
“ssssssssssssssss....”
serpentes
negras
na negra noite
encontros
furtivos
profanos
serpenteiam
seus corpos
lascivos
numa dança
derradeira
última
primeira
da humanidade
que resvala
em ardis
intrigas obscenas
rastejam
em corpos
não humanos
nada mais resta neles de humanidade
nada mais resta neles
nada mais resta
nada mais
NADA.


Ianê Mello


Fotografia de Eikoh Hosoe 




2 comentários:

Dulce Morais disse...

Uau! Fiquei sem mais palavras...

Ianê Mello disse...

Obrigada, Dulce, por sua presença e leitura.
Bjs.