segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A TECELÃ





Sobre o peito o infinito vago
costurado em linhas finas de seda
tecelã aprendiz no ofício
com vagar minhas mãos tecem,
fio a fio,
cautelosas, mas precisas

Se o ponto erro
não desencanto
apenas o desfaço e
novamente busco o passo,
o compasso, o ritmo 

Tecendo, tecendo, tecendo
ritmados movimentos
nos pentes do tear

para frente
para trás
para frente 

para trás

A trama da vida
nos fios
a teia de ilusões
nas mãos que se entrelaçam
ponto a ponto

Com afinco, com dedicação
Construindo a trama como fiandeira,
delicadamente, como se fosse a última
como se fosse apenas a primeira.


Ianê Mello

(
2010/2013)


*



Fotografia do espetáculo “A Tecelã”.


A Tecelã - Tecendo








9 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Olá amiga
Me lembrei das mulheres de Atenas, que teciam de desmanchavam longas colchas, até os maridos voltarem das guerras.
Beijos

Ianê Mello disse...

Wanderley,

boa lembrança, amigo.

Lembra de Penélope, também, que ficava à espera de Ulisses?

Grande beijo.

Solange disse...

confesso que estou completamente entorpecida pelas palavras deste teu poema..
de uma sutileza e precisão tamanhas.
parabéns!!
bjs..

Ianê Mello disse...

Solange,

Fico muito feliz que tenha te sensibilizado dessa forma.

Obrigada pelo comentário.

Bjs.

Felipe A. Carriço disse...

Pontos que se cruzam numa manta de coincidências.

Ianê Mello disse...

Belo, Felipe!

Bejo.

Marcelo Novaes disse...

Ianê,


Tecer, escrever, viver: é somo tocar um instrumento.


É isso.







Beijo.

Ianê Mello disse...

Marcelo,

saber os acordes para o momento exato.
Utilizar o aprendizado do Jazz também é importante: o improviso.

:)

Beijos.

Anônimo disse...

belo poema, bela imagem! muito grata!!