quarta-feira, 24 de março de 2010

O Ébrio - Triste Fim






Quando teu olhar parado, vidrado, estático
se perder num ponto obscuro extasiado
diferença não fará, pois a luz não vês há muito
Tudo o que vês a tua frente é um copo de bebida 
numa suja mesa de bar
E tudo que gritas é quando se esvazia o copo
"Garçom, mais uma dose..."
E assim passas os dias,
assim os dias passam...
Se queres seguir tua vida no ócio,
na compaixão por ti mesmo,
entregues a manhãs inúteis,
tardes quentes e noites sombrias...
Noites repletas de orgias
Fiques só... e que teu silêncio te complete
e que tua presença te baste
e que as prostitutas te satisfaçam à exaustão
Fiques só com tua solidão,
com tua falta de sentido,
tua ausência de razão
Com teus rumores e gemidos,
com teu esgar de sorriso
Um espectro te tornaste,
homem, não és mais não!
És um trapo, um fiasco, um lixo humano
Com os ratos aprendestes a viver na sargeta
Nem sentes mais o cheiro do esgoto
e tua cama é a calçada forrada de jornais 
Vives de restos de pão, de migalhas,
da compaixão dos que passam
Como um ébrio que só reconhece a bebida
vives pela vida cambaleando,
nos escombros, nos bordéis, pelas ruas
Em tuas entranhas o sexo 
é o que te faz acordar
e dele fazes uso sem precaução, sem restrição
Teu corpo não te pertence mais
Da vida só te resta a morte
pois morto já estás em vida


Ianê Mello 




8 comentários:

Adolfo Payés disse...

Buenísimos versos querida amiga..

Un beso con cariño..

Un abrazo
Saludos fraternos..

Sonhadora disse...

Minha querida
Lindo poema muito verdade nas palavras que fazem o poema.

Teu corpo não te pertence mais
Da vida só te resta a morte
pois morto já estás em vida


É assim mesmo.

beijinhos

HSLO disse...

Show. Super interessante esse poema.




abraços


Hugo

Ianê Mello disse...

Payés, Sonhadora e Hugo,

é uma triste verdade a que retratei.

Mas as verdades também tem que ser ditas, não, mesmo quando tristes?

Obrigada pela visita e comentários.

Grande beijo à todos.

Machado de Carlos disse...

Você consegue encontrar algo no Labirinto da Alma?

Ianê Mello disse...

Machado de Carlos,

o que quero dizer é que a alma é um labirinto e que todos temos que "matar" os nossos medos para encontrá-la.
Como na lenda do Minotauro, lembra?

Beijos, amigo.

A. Reiffer disse...

Obrigado, e parabéns por este forte poema.

Ianê Mello disse...

A. Reiffer,

Obrigada pela retribuiÇão da visita e comentário.

Volte sempre.

Um abraço.