terça-feira, 16 de março de 2010

A Moça na Janela



Vejo a moça na janela
Olhos negros e atentos
Seu olhar  tudo observa
o que lá fora acontece
O menino a andar de bicicleta,
a mulher a ler sentada num banco de jardim,
o pipoqueiro vendendo pipoca,
a criançada a correr e a gritar

A moça de negros olhos,
através da janela
descortinava o mundo
e parecia lhe bastar
Dessa forma ela se sentia parte
desses acontecimentos
muito embora deles, 
na verdade, não participasse

Essa moça de negros olhos
vivia a vida ao seu alcance
através da estreita janela
Ela via a vida passar
Esse era o seu mundo
até onde sua vista alcançava

Ninguém a reparava
tão imóvel ela ficava
A esquadria de madeira da janela,
da antiga casa em que morava,
emoldurava seu pálido rosto
como se fosse um quadro
pintado por artista talentoso

Era bela em seus finos traços
Cabelos negros e longos
Pele alva como a neve
e seus olhos....
ah, seus olhos...
negros como o mar profundo


Ianê Mello

6 comentários:

Marcelo Mayer disse...

como diria alvares de azevedo: é ela, é ela, é ela... janela

Felipe A. Carriço disse...

A fundura dos negros olhos refletiam o que lá de fora via-se dentro: escuridão.

Ianê Mello disse...

Boa...rsrsrs

Legal te ver por aqui.

Bjus

Ianê Mello disse...

Felipe,

perfeito...

Beijos.

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Os 'negrosolhos' fitavam luz... ;)

Ianê Mello disse...

Francisco,

é interessnte como cada um vê sob uma perspectiva.
A sua é bem otimista...rsrsrs

:)


Tem desafio do Diálogos. Vai lá.

Beijos