quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Em Preto e Branco


(Foto de Marina Danina)

As nuvens encobrem o céu

nessa paisagem árida e inóspita
A terra seca e estéril
é cenário sem qualquer beleza
Até onde a vista alcança
é palha e sombras
Sem vida, sem nada
E a mulher ali parada
fita o vazio que se alarga
com seu olhar impassível
Seu vestido negro recobre
seu magro corpo sem atrativos
Seus negros cabelos para trás
sequer emolduram seu lívido rosto
Nada parece lhe afetar
Estática e imóvel permanece
mais parecendo um espectro em vida
Mas como saber o que sua alma esconde?
Sua mente talvez divague
por outras paragens
Talvez relembre passagens
de uma vida para sempre perdida
Quem sabe...
Seu olhar inexpressivo e parado
Seu corpo enraizado na terra
confundindo-se com a negra chaminé
que por detrás se revela incólume
Mulher e paisagem se complementam
Em perfeita harmonia se fundem
e se perdem no vazio de emoções.

Ianê Mello

4 comentários:

Mulher na Janela disse...

Aqui a sensibilidade entontece os mais desavisados e reclamam nosso retorno. Retornarei!

Xeros...

Ianê Mello disse...

Iara

Fico grata pela visita e pelo comentário, que por sinal revela em suas palavras a grande sensibilidade da poeta. Retorne sempre, pois visitas assim engrandecem o espírito.Um abraço.

Marcelo Novaes disse...

Ianê,


Parece um poema feito em nome da gravura. E ficou impecável. Essa espécie de mulher-chaminé comburiu cinzas dentro de si...







Beijos,






Marcelo.

Ianê Mello disse...

Marcelo

Na verdade, a gravura foi de fato minha fonte de inspiração.Ela me instigou desde que a vi e o poema fluiu naturalmente.

Obrigada pela visita e pelo comentário.