sábado, 7 de novembro de 2009

Para onde foi




Um dia ele chegou com o olhar mudado. Desses que provocam calafrios e nos levam a pensar "O que terá acontecido?"
Me aproximei de mansinho; como um gato. Acerquei-me de seu corpo e o abracei.
Seus braços mal conseguiam enlaçar minha fina cintura. Parecia que correspondia por pura obrigação, porque seria estranho não fazê-lo. E eu fiquei assim atônita, sem saber o que pensar.
Aqueles mesmos braços que sempre me abraçaram com tanta ternura e, em certos momentos, com tanta paixão. Desvencilhei-me com facilidade de seus braços frouxos e sem vontade. Meus olhos já estavam rasos d'água e não queria que ele me visse chorar.
Queria respeitar-lhe o tempo em que se sentisse capaz de expor seus reais sentimentos, ou, quem sabe, a falta deles.
Como dois corpos podem estar presentes no mesmo espaço e tornarem-se tão distantes suas almas? Como podemos nos tornar dois estranhos quando um dia fomos tão íntimos?
Como o amor que um dia nos une deixa de existir, deixando em seu lugar um espaço vazio que torna-se difícil de preencher?
Fui até a varanda e deixei a brisa do vento secar minhas lágrimas. Respirei fundo e pensei comigo mesma"É o fim". Fim de mais um romance de amor. Mais uma ilusão que se dissipou na poeira do tempo. Agora, vai ficar apenas a saudade de um tempo que passou e as recordações de momentos felizes que vivemos.
O vazio entre nós se fez presente e me senti como um barco à deriva, sem porto.
E meu coração apertado, sangrou.


Ianê Mello

6 comentários:

Marcelo Mayer disse...

faltou-lhe o porto seguro de sua própria presença

Adolfo Payés disse...

Bello.. es una ternura pasar por tu blog..

Un beso


Un abrazo
Con mis
Saludos fraternos..

Que pases un buen fin de semana.

Ianê Mello disse...

Marcelo

Tens toda razão...é o que lhe faltou.

Bjs

Ianê Mello disse...

Paez

Fico feliz que tenha gostado.

Grata pela visita.

Bom fim de semana.

Un abrazo.

Akhen disse...

Ianê

Estranhos, não são os que estão de frente e não falam porque não se conhecem.
Estranhos, são os que se conhecendo estão de costas e não se falam.

Paz e Luz no seu caminho

Ianê Mello disse...

Você sintetizou o conto...é isso mesmo.

Obrigada pela visita.

Paz e Luz!